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Vergonha 2.0…

Quando pensei que o máximo de abuso que eu veria em termos de licenças de uso de imagem seria o caso do concurso do banco HSBC, vejam o que recebo de um representante legítimo de nosso governo (tirei nomes, pois se bobear ainda me processam):


Boa tarde, Armando
Meu nome é XXXXXXXXXX e sou pesquisadora de fotografia da TV1.
A TV1 está editando o site PORTAL BRASIL, da Secretaria da Comunicação da Presidência da República, um site exclusivamente institucional.
No site gostaríamos de usar a foto de sua autoria (anexa). A imagem será usada no fundo de página que irá apresentar uma matéria sobre EMPREEDENDORISMO.
Aguardo seu retorno.

Atenciosamente

Respondi com meu orçamento, baseado em minha tabela de preços de licenciamento de imagens, recebi como retorno isso:


Ola, Armando
Segue o contrato de licença de uso de imagem, que a TV1 precisa ter para negociar com a SECOM.
Aguardo seu retorno.

AUTORIZAÇÃO DE CESSÃO DE IMAGEM

Por esta e melhor forma, a empresa (razão social)____________________,
Situada (endereço completo da empresa com bairro,Cidade, Estado, CEP) ____________________,
inscrição CNPJ/MF: ____________________, fone: ____________________, e-mail: ____________________,
aqui representada por (nome completo do representante da empresa) ____________________,
RG ____________________, CPF ____________________, residente (endereço completo com bairro, cidade, estado e CEP) ____________________ fone: ____________________, email:____________________,
autoriza a XXXXXXXXXX com sede à Rua XXXXXXXXXX, inscrita no CNPJ sob o nº XXXXXXXXXX, ou a terceiros nomeados por esta, A utilizar as imagens no material intitulado “____________________”, produzido para seu cliente SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM, bem como para composição de seu banco de imagens.
A SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM., poderá utilizar o material como lhe aprouver, com finalidade comercial ou não, modificando, reproduzindo, editando e/ou alterando, sem limite de quantidade de uso e/ou veiculação, quer para o material acima identificado ou para outros que venha a produzir, fixando em qualquer suporte existente, seja eletrônico, digital, impresso, editorial e/ou em composições multimídia, CD-Rom, adaptando para qualquer idioma, bem como veiculando por todos os meios de sinais e mídias, mediante emprego de qualquer tecnologia (analógica, digital, com ou sem fio e outras), tais como, mas não limitados a radiodifusão, Internet, cabo ou satélite, emissoras de televisão aberta e/ou fechada, através de qualquer forma de transmissão de sinais/dados, exposição, gravação, inclusão em base de dados, em terminais móveis, através de qualquer processo de comunicação público ou privado, incluindo exibição em videowall e vôos nacionais e internacionais, TV metrô, bus TV, TVs em aeroportos, TVs em shoppings, painéis eletrônicos e backlight, e quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas próprios ou de terceiros, dentro e fora do território nacional, podendo, inclusive, vender e/ou ceder à terceiros, sendo tudo sem qualquer remuneração, pelo prazo de proteção legal previsto na Lei 9.610/1998.

A presente autorização é feita em caráter definitivo e irretratável, de forma gratuita, sem ônus de qualquer espécie à SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM.

Data e local Assinatura

Em resumo, querem usar em TODAS as MÍDIAS, SEM PAGAR NADA POR ISSO!

É o GOVERNO DO BRASIL PEDINDO IMAGEM DE GRAÇA PARA USAR COMO E QUANDO BEM ENTENDER.

Estou verdadeiramente com raiva neste momento. Minha resposta ao segundo e-mail foi a mais educada possível dentro dessas condições, mas obviamente negando a licença.

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Armando Vernaglia Jr
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ps.: a foto em questão era esta:

Avenida Paulista - a foto que o governo quer de graça - Paulis066

EM TEMPO…

Ligaram pedindo desculpas e dizendo que mandaram o contrato errado, solicitaram que eu elabore um contrato e envie. Vamos ver, segunda feira dou mais notícias… ops, segunda é feriado, terça dou notícias. Resta torcer para que esta negociação, que começou da forma mais errada, termine bem para todos. O que considerei positivo foi terem entrado em contato e aberto uma porta para negociação, isso já merece um crédito.

[]’s
Armando Vernaglia Jr

Crise de Imagem - o Caso HSBC

Dias atrás o banco HSBC deu início a uma ação de marketing chamada Palco HSBC, entre os muitos braços desta ação, um envolvia a realização de um concurso fotográfico através do site Flickr, maior rede social de fotógrafos do planeta.

A crise de imagem começa com o regulamento do referido concurso que foi muito mal recebido pela comunidade fotográfica, especialmente por aqueles que como eu, atuam profissionalmente como fotógrafos.

A revolta não aconteceu por acaso, o regulamento continha afrontas claras a lei número 9610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, que passavam por uma cessão irrestrita de direitos das imagens para que o banco utilizasse como bem entendesse, fosse para os fins do concurso ou até para campanhas publicitárias de alcance mundial, entre outros pontos.

Iniciou-se assim uma enorme gritaria na internet, o grupo Palco HSBC no Flickr foi tomado por queixas, dezenas de fotógrafos colocaram a mensagem “Diga Não Ao HSBC” em seus avatares e perfis públicos, diversos blogs publicaram textos contra o banco e levaram adiante a mensagem negativa, no Twitter e nas listas de discussão por e-mail ocorreu o mesmo. Ilustradores e designers se juntaram a causa e também ecoaram o brado “Diga Não Ao HSBC”.

O número de pessoas atingidas pela mensagem passou da casa das milhares em poucas horas, o estrago na imagem do banco estava feito.

Fotógrafos, ilustradores e designers são um ótimo público para bancos, muitos precisam ter contas para pessoa física e jurídica, alguns recebem pagamentos do exterior, tomam empréstimos para comprar equipamentos caros, compram serviços de seguro, enfim, são clientes desejáveis por qualquer instituição financeira, e logo junto a este público o eco negativo se alastrava com força.

Veio então a público o diretor de marca e digital do HSBC, Sr. Carlos Alves na tentativa de apagar o incêndio, informou sobre a imediata reformulação do regulamento e tentou apaziguar ânimos mas já era tarde, a desconfiança reinava.

O novo regulamento do concurso veio, bastante melhorado em relação ao anterior pois retirou os pontos potencialmente ilegais, evidenciou a necessidade de inclusão de créditos aos autores e deixou mais claro que caso as imagens fossem usadas posteriormente em campanhas, haveria pagamento negociado com os fotógrafos vencedores do concurso.

Ainda há falhas no regulamento, falta clareza na definição de pontos que envolvem a tal ação “Palco HSBC” na qual as fotos serão usadas. A discussão ainda acontece no Flickr e em listas, fóruns e blogs pela internet, um pouco mais morna é verdade, mas é possível dizer que a imagem negativa deixada no início não foi apagada nem corrigida até o momento.

Como evitar um papelão desses? Uma palavra apenas: PLANEJAMENTO.

Com um pouco de planejamento haveria o cuidado de por exemplo, consultar o público potencialmente atingido e verificar se o regulamento condizia com os interesses dessas pessoas, contratar um advogado especializado em imagem também seria útil para evitar afrontar uma lei tão conhecida.

Apesar das medidas necessárias serem simples, o descuido, a pressa e a contratação de uma agência de publicidade ruim fizeram com que uma grosseira bobagem como essa fosse feita e gerasse tanto estrago.

Fica a dica para todas as empresas, se vão fazer um concurso de fotos, consultem fotógrafos e associações de classe, além de dar uma boa lida nas leis pertinentes. E para fotógrafos, leiam com atenção os regulamentos de concursos, em caso de dúvidas consultem advogados antes de realizar a inscrição, se for o caso, reclamem, tornem a insatisfação pública, pois só assim as empresas irão aprender a trabalhar de maneira mais ética, planejada e respeitosa.

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Armando Vernaglia Jr
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Ps.: Ilustro com uma foto de vinho que fiz recentemente, assim levanto um brinde aos fotógrafos que iniciaram e propagaram este levante contra um regulamento leviano, foi um dos raros momentos em que vi a classe fotográfica unida.

Um brinde à união - Vinho005

Vergonha

Pessoal, ando afastado do blog devido à correria do trabalho, mas esta não poderei deixar passar.

O banco HSBC, uma instituição que lucra bilhões de dólares por ano soltou uma ação no Flickr, que pode ser vista clicando AQUI

Que gerou uma reação de fotógrafos (eu entre eles). Inicialmente vi no Fotocolagem.

E que gerou uma resposta enorme de fotógrafos no Flickr iniciada pelo fotógrafo Ignacio Aronovich

Não posso usar outro termo além do que dá título a este breve artigo. Se você é fotógrafo, ou gosta de fotografia e aprecia o trabalho daqueles que vivem desta arte, reclame. Esse tipo de palhaçada tem que parar.

Abraços a todos,

Armando Vernaglia Jr
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BV é Imoral

Minha opinião sobre o BV está no título deste artigo, daqui em diante irei explicar o que é o BV para aqueles que não o conhecem, bem como colocarei os motivos para minha posição a respeito do mesmo.

Primeiramente vamos ao que oficialmente se conhece como sendo o BV. Irei reproduzir um texto da revista Negócios da Comunicação, edição 10 :

“Modelo genuinamente brasileiro, a bonificação por volume (BV) surgiu no início dos anos 60 com o objetivo de ser uma política de incentivo ao aperfeiçoamento das agências de propaganda, seja no que se refere ao desenvolvimento de profissionais, seja pela aquisição de ferramentas que contribuíssem para melhorar a qualidade do trabalho. Criado pele Rede Globo de Televisão - e logo adotado pela Editora Abril - , com o passar dos anos o modelo se espalhou por outras empresas e setores da mídia. 
O BV é o pagamento de um bônus às agências, proporcional ao investimento total feito pelos seus clientes em um determinado veículo. Em outras palavras, quanto mais publicidade destinada a um veículo, maior é o BV recebido.”

Oficialmente é isso, o meio de comunicação paga para agências uma porcentagem pelo volume veiculado. Só isso já seria suficientemente prejudicial ao mercado, pois leva à concentração de investimento em poucas mídias que pagam mais em detrimento do que é melhor para o cliente anunciante, isso é ruim mas não é o assunto deste artigo.

Tratarei de algo que nasceu quando alguém achou que se era normal e aceito o BV em grandes mídias, então ele poderia ser normal e aceito em pequenas negociações ao longo de toda a cadeia produtiva da comunicação, que envolve fotógrafos, cinegrafistas, gráficas, designers, ilustradores e outros. Desse dia em diante, o inferno se fez presente e a ética morreu.

Hoje é quase impossível receber um pedido de orçamento de uma agência que não venha com o pedido semelhante a um “favor incluir 5% de BV”, variando a forma, os termos e a porcentagem, mas quase sempre presente.

Da mesma maneira é quase inexistente uma gráfica que logo no primeiro contato em que eu peça orçamento não pergunte algo como “quanto você quer de BV?”

Designers pedem BV para contratarem suas fotos, fotógrafos pedem para a gráfica, gráficas pedem para mais alguém, ilustradores pedem para os coloristas, agências pedem para todos os anteriores.

Recentemente um amigo contou a incrível história na qual uma funcionária do departamento de marketing do cliente queria que ele pagasse 25% de BV para ela sobre um serviço que ele prestaria para a empresa. Ou seja, a tal funcionária está roubando 25% de um orçamento da empresa na qual ela trabalha.

Ruim? Sim, e pode piorar. Os motivos são muitos mas vou me concentrar em inflação, impostos, ética e queda nos lucros.

Quando o profissional recebe o pedido de incluir um BV ou ele retira a porcentagem do seu preço e perde parte do lucro, ou soma a porcentagem e inflaciona o serviço sem ganhar pelo valor mais alto. A segunda escolha é bastante prejudicial aos clientes enquanto a primeira atinge diretamente a qualidade de vida do profissional. Considere ainda que cada centavo extra no orçamento gera aumento de impostos.

Por fim, se não consideramos ético, moral ou correto um político “receber uma graninha” de uma empresa que vai construir um viaduto, por que seria ético, moral ou correto desviarmos qualquer porcentagem da verba de um cliente seja em favor próprio ou de terceiros?

Graças a tudo isso, eu não pago nem recebo BV, se oferecem digo para descontar do preço e quem ganha é meu cliente, se pedem eu não pago. Perco o trabalho e o cliente, mas prefiro trabalhar para quem tem valores éticos.

E você, o que acha disso tudo?

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Armando Vernaglia Jr
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BAMBU04 - Bambu

Diário de Bordo

A profissão fotógrafo tem passagens dignas de registro para o conhecimento público, algumas para o bem, e a maioria para o mal, a que menciono abaixo é uma dessas.

Recebi recentemente um pedido de orçamento, feito por telefone por um rapaz de forte sotaque estrangeiro. Ele precisava de uma foto do famoso cartão postal da cidade de São Paulo, a ponte Otávio Frias de Oliveira, conhecida como ponte estaiada. Dizia ter pouca verba então já pediu desconto antes mesmo de eu orçar o trabalho.

A imagem tinha algumas especificações, como a presença evidente de dois hotéis na composição logo atrás da ponte com suas marcas visíveis e claras. Isto por si só poderia ser um problema devido a autorização de uso de imagem das duas marcas, mas tudo bem, minha função é fotografar e não dar consultoria jurídica.

Após alguma conversa para entender bem o trabalho, enviei o orçamento por e-mail e nele, além do valor, determinei os limites de uso em termos de mídia e período como é usual para trabalho publicitário.

Recebo a resposta uma boa quantidade de elogios ao meu trabalho, tentando apelar ao meu ego, seguida de uma contra proposta - e podem trocar o segundo P da palavra por B caso queiram - no valor de menos da metade do que eu havia orçado e solicitando uso livre tanto em mídias como período. É mole?

Não custa lembrar que a ética aceita nesta profissão nos recomenda elencar em contrato todas as mídias que serão autorizadas e o período de veiculação.

Que tal um de nós ir ao mercado, lotar o carrinho com compras e propor à caixa o pagamento de apenas metade? Ou então contratar um pedreiro e oferecer a ele uma fração do orçamento de uma reforma para ver se ele aceita, algo como fazer a casa toda pelo preço de um banheiro. Imaginem as respostas que iremos receber.

Lógico que declinei da “proposta”, mas não duvido que ele ache um “fotógrafo” que concorde com os termos dele.

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Armando Vernaglia Jr
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pimenta-jamaica011bpq - Pimenta da Jamaica

ps.: foto da Pimenta da Jamaica, feita com uma Canon EOS30D, lente EF100mm f2 USM e tubo de extensão. Luz natural.

Triste, mas verdadeiro…

Normalmente só posto fotos, vídeos e textos de minha autoria por aqui, mas achei necessário postar o vídeo abaixo, dica do amigo Danilo via Update Or Die

É uma triste realidade, ninguém fica “pechinchando” quando compra comida no mercado, mas fazem isso com a prestação de serviços. Você pode querer uns descontos aqui e ali, pode desejar parcelamentos, isso é normal. Mas ninguém propõe a um chef de um restaurante que cozinhe de graça para fazer um teste ou decide comprar um CD sem pagar pois quer ouvir e ver se gosta.

Infelizmente é comum ouvir propostas desse nível quando se vive em profissões como fotografia, design, ilustração e outras. Já ouvi dezenas ou centenas de vezes frases como: “é possível fazer essa foto agora como um teste e no próximo trabalho acertamos um valor?”, ou quem sabe “que tal fazermos assim, eu posso te pagar metade disso, mas no próximo trabalho compensamos”, e ainda, depois de aprovar um orçamento e receber o trabalho dizer “olha, estamos numa situação difícil, iremos pagar, mas só poderei fazer isso em 60 dias”. Entre outras.

Sabem, se ninguém divide comigo os lucros dos bons tempos, por que querem sempre dividir os prejuízos?

Vejam o vídeo:

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Armando Vernaglia Jr
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A Porta dos Fundos do Mercado

Algumas pessoas talvez se ofendam com este texto, mas digo que minha intenção é a de causar reflexão. No artigo passado tratei do que considero o caminho certo para entrar no mercado, a porta da frente, neste falarei do jeito errado, adotado pela maioria.

Hoje todo mundo pode ser fotógrafo, basta comprar uma câmera. Após esse simples passo é questão de achar tutoriais na internet, perguntar alguma coisa para alguém disponível, quem sabe ler uma revista e pronto, é só sair por aí dividindo com o mundo suas visões únicas obtidas com sua nova máquina digital de “trocentos” megapixels.

Em tempos de crise na indústria o processo se intensifica, pois muitas pessoas perdem o emprego e na urgência de conseguir ganhos financeiros abraçam profissões livres, artísticas e não muito regulamentadas, como fotografia, ilustração e design.

É tudo fácil e simples no admirável mundo novo das tecnologias digitais e do moderno limpa tudo chamado photoshop. Se não souber usar o photoshop basta ajustar um bom discurso e dizer que aquilo é seu estilo, sua arte, sua visão e deixar assim mesmo, cheio de defeitos e falar que é proposital.

A foto saiu escura? Tremida? Tudo bem, converta para preto e branco que fica ótimo, se está fora de foco coloque bem pequena na página que ninguém irá reparar. Composição mal feita e sem harmonia? Sem problemas, corta um pouco daqui, um tanto dali, aproveita só um pedacinho da foto e pronto, tem “trocentos” megapixels para isso mesmo. Estudar e fazer tudo do jeito certo? De jeito nenhum, curso demora e custa caro.

Ironia? Não, é o retrato fiel do mercado em que qualquer um se diz fotógrafo e todo lixo é chamado de fotografia, pior, é chamado de arte. Para as dores póstumas de gênios como Bresson, Doisneau, Man Ray, Halsman, Brandt, Munkacsi e outros.

Devo dizer, cortando a alegria de muitos, que não, essa montanha de gente no mercado se dizendo fotógrafos não o são, não merecem este título e não tem o direito de exercer essa profissão. Deveriam ser processados por jogarem o dinheiro dos clientes no lixo.

A cada um que neste momento pensa em ser fotógrafo, estude, pesquise, compre livros, faça cursos. Se for autodidata, seja um pesquisador incansável em busca de imagens realmente valiosas, que engrandecem o ser humano. Faça por merecer o título de fotógrafo, respeite essa profissão que já teve nomes tão nobres e inspirados como os que citei acima.

Respeite também seus clientes, eles pagam suas contas e não merecem receber disfarces feitos no photoshop de fotos mal feitas.

Alguns vão dizer que ando rabugento, reclamo de tudo, mas cheguei à conclusão de que se ninguém falar, muitos vão continuar achando que estão fazendo o certo, de que é normal comprar uma câmera, estudar um pouquinho e sair por aí dizendo que é profissional. Imagine se eu fizesse um curso básico sobre anatomia e saísse por aí dizendo que sou médico. Espero que alguém leia, reflita e opte por fazer as coisas do jeito certo, com estudo profundo, respeito e dedicação.

E lembrando: a todos que investem nos estudos, compram livros, pesquisam, visitam museus para ver e entender arte em todas as formas, participam ativamente de listas de discussão e fóruns ajudando e sendo ajudado, que esperam para estar prontos, com boa técnica, bom repertório artístico e estético antes de se colocarem no mercado, este texto não é para vocês.

Nos vemos em breve, a periodicidade quinzenal acaba de ser abolida. =^)

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Armando Vernaglia Jr
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ps.: ilustro este texto com uma foto que fiz na cidade de Firenze, aqui conhecida como Florença, Itália.

Firenze166pq - Firenze, Itália

Encheu o saco!

Desculpem pelas palavras que enunciam este texto, mas tem coisas que enchem o saco, esgotam a paciência, enfim, nos tiram do sério. É o caso no momento, perdi a paciência.

Outro dia postei um texto falando do problema de fotógrafos que são publicados mas não creditados, o caso do famoso “divulgação”, sugeri que fotógrafos usassem o texto em seus blogs para fazer campanha, para tornar a insatisfação pública, no entanto recebi poucos comentários e apenas os amigos Tyto, Stefano, Raphael, Eneas e Nelson republicaram o texto. Postei em comunidades de fotografia Orkut e nada, quase ninguém comentou. Parece que isso não é um problema na visão da maioria, não sei por que tantos reclamam.

As vezes ofereço palestras gratuitas, elas tem por finalidade divulgar a fotografia, os bons hábitos profissionais, e arrecadar alimentos para doação, essas palestras lotam, pois são de graça. No entanto quando cobro R$80,00 para uma palestra técnica, sobre marketing e vendas, para profissionais de imagem aprenderem a vender seus trabalhos, apenas uma meia dúzia se inscreve, ou estão todos vendendo muito ou não sei o que acontece pois quase só vejo gente reclamando dos negócios em baixa.

Ofereço um curso de fotometria e flash, é algo mais caro, custa R$800,00, mas com ele o fotógrafo não erra mais com fotos claras ou escuras, nem flash estourado nas imagens deixando pessoas parecendo fantasmas, é muito bom para fotojornalistas e pessoas que trabalham com eventos, todo mundo que fez adorou, uns me escrevem até hoje dizendo que o curso mudou a vida profissional deles. Fotografar melhor reduz o tempo no computador fazendo ajustes, o Photoshop fica como ferramenta criativa e não como papel higiênico.

Esse curso teve 12 turmas mas formar a décima terceira está sendo um parto. Ou todo mundo já sabe esse assunto, ou ninguém se incomoda em ficar consertando foto ruim e perdendo noites de sono na frente do computador.

Se eu oferecer um curso desses gratuitamente vai lotar, se colocar no YouTube vai ter visitação aos montes. Todo mundo quer saber essas informações mas não quer pagar por isso. Querem tudo de graça e se esquecem de que pagamos pelo que comemos, pela luz, água e gás, combustível, passagem do transporte público etc. Então por que não pagar por algo que traz benefícios profissionais diretos?

E por que não dedicar uns minutinhos em favor da classe profissional em que atuamos divulgando um texto ou escrevendo o próprio sobre o tema? Não compreendo.

As pessoas parecem cada vez mais egoístas, querem tudo de graça, tudo de bom, tudo para elas, mas oferecem e se esforçam tão pouco. Para viverem reclamando depois.

Um monte de gente me manda e-mails, telefona no meu estúdio, perguntam coisas, me elogiam por eu ajudar e ter paciência com os problemas alheios, este blog é super visitado, um monte de gente pede para publicar de graça minhas fotos que estão no Flickr, mas e aí, pago minhas contas como?

Devo então centrar toda minha atenção em vender meu trabalho e que cada um cuide dos seus problemas? Com certeza eu ganharia mais dinheiro do que ganho e daria mais conforto para minha esposa e eu aproveitarmos.

Estou cansado disso, eu paguei para meus mestres e com eles aprendi muito, investi na minha carreira e colho benefícios disso, não tive nada de graça, não tive nada livre na internet, pesquisei, estudei, trabalhei, comprei livros, fiz cursos e foi assim que cheguei onde cheguei.

Por isso tudo, aproveito então este espaço para publicar algumas decisões:

- palestras gratuitas não mais acontecerão, tendo como exceção a palestra Fotografia Na Comunicação que já estava programada e que está na agenda deste blog;

- não lançarei novas turmas de cursos técnicos de fotografia, podem ficar no Photoshop o quanto quiserem. A décima terceira turma de Fotometria + Flash, que começará no dia 19/03, será a última;

- e-mails e telefonemas pedindo ajuda sobre como fazer um orçamento, como começar na carreira, como eu monto minha luz, qual equipamento eu uso, se estou ou não precisando de assistente ou como divulgar um trabalho não serão mais atendidos;

Apesar de cansado disso tudo, ainda sou um cara legal e penso que posso incentivar novas gerações a fazerem as coisas do jeito certo, então as caminhadas fotográficas continuarão ocorrendo e continuarão gratuitas pois nelas sempre tenho a presença de bons e velhos amigos e de gente da nova geração que se importa e resolve acordar cedo para fotografar ao invés de só beber e dormir. As próximas serão divulgadas aqui pelo blog e pelas listas de discussão na internet que participo.

Meus clientes estão satisfeitos com meu trabalho e minhas fotos vendem muito bem, então darei mais tempo e dedicação aos que pagam minhas contas e valorizam meu trabalho.

É isso, este blog continua, por enquanto.

Nos vemos em 15 dias.
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Armando Vernaglia Jr
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PS.: Uma continuação.

Uma conversa com o amigo Danilo me fez notar a necessidade de colocar este PS no texto. Digo aqui que existem exceções, pessoas raras que não se contentam com pouco, são inquietas e buscam pelo saber, pesquisam, estudam, compram livros, pagam por cursos, investem no próprio conhecimento e fazem seu caminho na fotografia de forma embasada e profunda. A vocês que estão neste raro perfil, tenham a certeza de que eu sei quem são, e que vocês podem continuar a contar comigo.

O meu “Encheu o Saco” não é generalizado, eu me enchi de pessoas que só querem sugar conteúdo sem oferecer nada em troca, que não são capazes de dar minutos do próprio tempo em favor de sua classe profissional, que ligam aqui no estúdio sem eu nunca ter ouvido falar quem são, tomam meu tempo, obtém a informação desejada e desaparecem como se eu, por ser professor, fosse um “help desk” 24hs sobre fotografia disponível a todos.

Eu venho de uma geração para a qual uma foto mais clara ou mais escura que o ideal era uma foto errada, a geração atual (com exceções), já nascida no digital, acha isso normal. É normal para eles consertar isso no Photoshop então para que aprender fotometria? Talvez eu esteja ficando velho, mas eu prefiro ter o resultado pronto na câmera do que no computador, para quem pensa desta mesma forma, sempre terá em mim uma fonte de informação e colaboração. Mas os que preferem ficar no PS e usá-lo como papel higiênico, só posso lamentar pelo mau que fazem para a fotografia.