A Fotografia Morreu?
Se sim, oremos pela alma da falecida, lembremos dela em seus áureos tempos de glamour, fama, dinheiro e principalmente dignidade. Se não, é bom chamar os médicos pois a situação da doente é grave.
Não estou falando da fotografia como forma de expressão visual, artística, nem da fotografia como meio de comunicação ou como documento histórico. Mas a profissão fotógrafo, como meio de vida e obtenção de sustento digno para uma pessoa ou família, essa é a moribunda.
Levanto este assunto baseado em alguns casos recentes:
01 - Visitei uma das únicas e tradicionais galerias de arte fotográfica aqui de São Paulo, passei uma hora apreciando trabalhos belos e criativos de nomes consagrados de nossa fotografia. Ao longo do tempo em que estive lá o telefone não tocou e fui a única pessoa por ali. As paredes desgastadas, as lâmpadas queimadas e a porta trancada esperando que toquem a campainha indicam que o movimento é dos mais baixos.
02 - Conversei com o ex-assistente de um dos maiores nomes de nossa fotografia publicitária brasileira. Ele havia sido demitido pois o famoso profissional estava há seis meses sem nenhum trabalho e teve que dispensar os préstimos do jovem iniciante na profissão.
03 - Numa lista de discussão de fotografia um ótimo e conhecido fotógrafo do Rio de Janeiro reclamava de uma escritora que desejava contratá-lo para uma foto… de graça. A dita cuja ainda o considerou grosso quando ele argumentou que não poderia atendê-la naqueles termos.
04 - Um amigo fotógrafo abandonou a área de fotografia de moda após dez anos clicando catálogos, books e campanhas nesse segmento. Resolveu fotografar casamentos. Ele está chateado com o fato de que maquiadores e bookers estão tomando espaço dos fotógrafos no mercado de books e composites para agências de modelo. Esses profissionais têm um trânsito fácil entre as pessoas do “mundinho fashion”, não sabem fotografar nada, mas isso parece não importar muito.
05 - Por fim, para os que gostam de fotografar carros, já ouvi 3 bons nomes da fotografia publicitária comentando que a fotografia nessa área está com os dias contados, as grandes campanhas de carros são feitas em 3D.
Isso sem falar das empresas que prestam serviço para o governo e os grandes bancos que querem foto de graça como já mencionei aqui.
É, parece que a profissão fotografia morreu mesmo… o que podemos escrever na lápide da pobre defunta?
[]’s
Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/


Grande Armando.. Acredito que a fotografia não morreu, ela só esta passando por uma reciclagem.
Hoje os fotógrafos são muito mais, “ou tem que ser”. doque simples apertadores de botão. A palavra de ordem é (MULTIMEDIA).
Ou seja, aumentaram o numero de ferramentas e temos que dominá-las. Aumentou o conhecimento a informação a agilidade dos fatos e fotos. Rss Lembra?
Não importa se é 3D, PS, PB. Importante é continuar registrando e construindo imagens que emocionam.
Fala JP, concordo com você, e na verdade atuo dessa forma, mas aí cabe a pergunta. O profissional que atua com fotografia web design sei lá quantas atividades é fotógrafo ou deve ter outro nome?
Talvez seja um questionamento purista, mas se o tempo investido em fotografia for 10% ou 20% do total, dá para chamar de fotógrafo?
E se a pessoa dedica tão pouco tempo à fotografia pois está ocupado com N atividades em volta, dá para evoluir, criar uma linguagem própria e se diferenciar?
Abração,
Armando
Com relação, ainda, a fotos de casamento, visitei uma empresa tradicional, para fotografar como free. Estranhei a pessoa não querer ver meus trabalhos e ainda dizer: “-Não se preocupe com as fotos não”. Saí dali sem entender nada. Não voltei.
A fotografia morreu ou está na UTI.
Leio sempre seus artigos. Parabéns!
Abraços.
Armando, acho que a facilidade na obtenção do produto desvaloriza o profissional de qualquer área e isso está acontecendo na fotografia, assim como na indústria fonográfica, filmes e outras. São os efeitos da tecnologia, não tem como evitar. Por que pagar por alguma coisa que se pode obter de graça ou por um custo mais baixo?
Na minha opinião, sobreviverá quem estiver estabelecido em algum nicho de mercado e souber agregar valor às suas imagens (foto bacana não basta, tem que ter um “plus”, seja lá o que for, algo pelo qual aquele cliente esteja disposto a pagar).
Mas a realidade é que, infelizmente, muita gente boa terá que procurar outra maneira de ganhar a vida. A retração do mercado é inevitável e tende a piorar.
Nossa !!! Ao ler isso até desanimei um pouco =/
Estou iniciando no ramo da fotografia e estou fazendo cursos e aprendendo PHOTOSHOP e ao ler esse post aqui no seu blog até me bateu uma tristeza, pois quero tornar a fotografia a minha pricipal fonte de renda, porém ao ler isso até fiquei meio desmotivada, não vou desistir claro, mais dá uma tristeza em saber que uma profissão tão digana de reconhecimento esta morrendo…
Não vou desistir antes de tentar.
Adoro as suas fotos são ótimas.
Olá Caco, obrigado pelo comentário. Você tem razão pois isso reflete uma lei básica de mercado, há muita oferta e pouca demanda, além disso o ritmo de crescimento do mercado brasileiro parece ser menor que o crescimento de adeptos da fotografia, assim sempre terá mais gente fazendo do que comprando.
A acessibilidade dos equipamentos (preço e qualidade) e do conhecimento (cursos on line, tutoriais etc) fez com que muitos compradores de fotografias começassem a produzir, como designers, agências de publicidade pequenas, editoras etc, mesmo que com qualidade abaixo da obtida por profissionais de fotografia, mas ainda num patamar já aceitável de qualidade.
Nichos de mercado tendem a ser rentáveis apenas por pouco tempo pois logo muita gente considera um nicho como uma oportunidade e lota o mercado, então mesmo profissionais com longo tempo em um segmento irão penar para se manter.
Viviane, obrigado pelo comentário. É como eu lhe disse por e-mail, o mercado está em constante mutação, o que era necessário ter para ser fotógrafo há dez anos não foi o mesmo que há cinco anos, e o que valia dois anos atrás não vale hoje. Essa mudança é rápida e por isso muitos terão dificuldade em acompanhar. Ser fotógrafo hoje, tentando saber apenas fotografia, é suicídio comercial.
Mas como o Jorge Principe falou num e-mail, mesmo que um profissional ganhe dinheiro com atividades paralelas, a vivência da fotografia sempre estará lá, eu uso o que sei de composição e harmonia fotográfica mesmo quando estou diagramando um anúncio que não tenha fotografias.
Apareçam sempre.
[]’s
Armando
Ao meu ver a fotografia nunca foi respeitada e vista como profissão e talves nunca venha a ser. Na realidade quem a torna uma profissão somos nós, que saimos em busca de clientes e trabalhamos com muito cuidado e técnica na composição de nossos portifólios. A mídia vem deixando de lado o que consideramos ser um profissional da fotografia e o substituindo por quebra galho mais em conta, pois a ordem geral no mundo dos negócios hoje é cortar custos. Mais ai eu pergunto, a que preço? Estou caminhando em meus estudos e me tornando o que considero um profissional. Que é aquele que estuda, investe e investe na carreira. Estou encarando a fotografia como uma profissão pois foi a escolha que fiz, o caminho que escolhi percorrer. Assim como alguem que escolhe fazer faculdade de Administração, ou Direito, ou Medicina. Eu escolhi fotografia.
Na lapide da defunta fotografia eu escreveria:
Aqui já uma indigente!
Fala Armando, bela discussão, como sempre !
Vc mesmo já é cara multimídia… o sucesso deste blog já corrobora isso !
Bem, sua discussão me fez lembrar o último casamento que fui (amigos). Cheguei pro fotógrafo e pedi educamente se poderia tb tirar algumas… expliquei que tava começando, etc… Ele foi gentil e concordou, desde que eu não atrapalhasse seu espaço, blz… Minha surpresa foi que, quando a noiva entrou, haviam pelo menos umas 50 câmeras apontadas pra ela e pelo menos umas 5 semi profissionais… enfim, todo mundo se acha fotógrafo hoje em dia… e o pior, ou melhor, cada um acredita piamente no seu próprio bom gosto…
Graças à democracia da tecnologia e da informação, muita gente está se virando, aprendendo mais e tendo mais repertório, por que não?
Fiz algumas fotos de uma peça de teatro, mas tomei o cuidado de apresentá-las em formato de slides e com música… foi um sucesso !
Mostrei pro meu sobrinho achando que fosse a maior novidade e ele me indicou um programa melhor pra fazer aquilo… puts… é tudo muito rápido, muito acessível… Que bom, que horror, que legal !
Os desafios são maiores, e, seguindo o raciocínio do Jorge, temos de nos diversificar e aprender, exponencialmente, cada vez mais sobre as mais improváveis mídias e realidades…
Mas concordo com vc… a profissão com o rótulo “Fotógrafo” parece que jaz…
PS: nesse casamento, em determinado momento, o fotógrafo “profissional” chegou bem perto de mim, enquanto eu pegava um ângulo inusitado do casal e disse (abre aspas) Pô cara, vc percebe uns ângulos legais, né ? (fechem todas as aspas rsrs).
UM POEMA PARA FOTOGRAFIA
TODAS
AS
HORAS
ASSOBIO UM
AS
NAS
MUDANÇAS DE
PALAVRAS E
NESSAS
HORAS
AS
PERNAS TREMEM
COMO
PERNAS
BAMBAS DE
TODAS
AS
HORAS
AS
Olá Renato, devo discordar, a fotografia já foi sim muito respeitada como profissão, mas faz algum tempo.
Por exemplo, nos anos 80 era comum o fotógrafo participar do processo criativo nas agências de publicidade, era comum também jornais terem algo entre 20 e 50 fotógrafos fixos, funcionários com carteira assinada, isso durou até o começo dos anos 90.
Ser fotógrafo já foi uma profissão bem mais “nobre” do que é hoje e também melhor remunerada, mas como eu disse acima, lei de mercado é assim, onde há muita oferta, o valor será baixo.
Comentei o seguinte em uma lista de fotografia que participo: “um dos pontos que eu costumo dizer é que antes para ser fotógrafo precisava saber fotografar, e pronto. Se soubesse algo de vendas e marketing melhor, mas o principal era saber fotografar. Hoje precisa saber photoshop, web, dreamweaver, flash, edição de vídeo, de música, além de marketing, vendas, mas saber fotografar não precisa mais.” Isso é um fato, não uma opinião por pior que pareça.
Pierre, em tese o que sobrou para diferenciar fotógrafos é o estilo visual, a técnica não diferencia mais ninguém, mas o estilo, ou seja, a parte artística, também é imitável, reproduzível, então o diferencial terá duração pequena, em tempos de internet eu diria que é um diferencial que dura apenas minutos, já vi fotos minhas sendo copiadas descaradamente sem nenhuma citação de que eu havia influenciado o trabalho, isso é apropriação mesmo, algo para a antropologia explicar, e quem sabe a psicologia…
Agora, se não sou fotógrafo pois faço mais do que fotografia, irei me apresentar como? =^)
Nívia, obrigado pelo poema.
Apareçam sempre,
[]’s
Armando
Você é um artista, Armando !
Abração
[…] Em contra partida o fotógrafo Armando Vernaglia pergunta, a fotografia morreu? Fica aí essas duas situações para a gente pensar no futuro da fotografia… […]
Gilvan, é aquele papo, não se preocupe, o Photoshop resolve. Há uns anos eu dizia que photoshop não era papel higiênico, ou seja, se a foto fosse uma caca, ele não limpava, mas parece que essa idéia não pegou e hoje usam ele como papel higiênico mesmo…
Pierre, esse rótulo eu não aceito, não considero que o que eu faço seja arte. Depois de ver pessoalmente o que DaVinci, Michelangelo e outros fizeram, seria uma enorme pretensão da minha parte me considerar artista.
Danilo, valeu pela citação, já vou lá no seu blog comentar.
[]’s
Armando
Imagina se você quisesse viver então de fotografia de insetos? Eu já estou voltando a ser “amador avançado”, menos stress e mais diversão.
Abs
o surgimento dos sofwares gráficos há alguns anos fez a mesma coisa com o design gráfico. é complicado. por muito tempo acreditei que um trabalho de qualidade fizesse diferença e fosse reconhecido como tal. mas infelizmente começo a acreditar que maioria das pessoas não tem nem capacidade para perceber essa diferença.
[…] Blog do Vernaglia » A Fotografia Morreu? blog.armando.fot.br/2009/11/17/a-fotografia-morreu – view page – cached Escrito em 17 de Novembro de 2009 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 164 […]
Grande Arnaldo
gostei do post.
O caso é que um monte de gente despreparada entrou para o métier e são esses que atrapalham tudo.
Muita gente perdendo emprego e abandonando profissões as mais diversas para se transformarem em APERTAORES DE BOTÃO DIGITAL
com isso vem junto uma avalanche de mau-caratismo e de aproveitadores, como urubús tentando comer carniça a qualquer preço.
Aviltam o preço e a qualidade também.
Eu estou trabalhando direto, não posso reclamar, mas estou assustado com o baixo nível que surgiu no meio dos profissionais fajutos de fotografia.
Mil abçs e qualquer coisa, estamos por aqui.
AYRTON
Tacio, quanto mais especializado, pior ficou o mercado pois ao atuar num segmento só, ele pode ser invadido a qualquer momento. Macrofotografia é um dos oásis dos amadores, pois na cabeça das pessoas, é só comprar a lente macro e ir para um parque, e na cabeça de muito cliente, é só isso mesmo, vai explicar a diferença para ver se eles entendem…
Martina, no design gráfico qualquer um com corel draw já se acha designer, assim como na fotografia qualquer um com câmera já é fotógrafo, estudar tipografia, harmonia, cores, para que? O ponto que você notou é verdadeiro, uma enorme maioria dos clientes não repara na diferença, eu já citei isso aqui no blog e seu comentário me faz repetir: não há cultura visual no Brasil, e isso é uma das grandes causas desses problemas.
Ayrton, em parte é isso mesmo, mas tem outro ponto que são os compradores de foto. Na urgência de baixar custos produtivos, agências de publicidade estão ponto assistente de arte para fotografar, estúdios de design deixam de contratar fotógrafo e vão eles mesmos fazer as fotos, gráficas dizem que fazem criação publicitária e invadem mercados de fotógrafos e designers… é uma verdadeira zona alimentada pela falta de cultura visual, falta de informação dos clientes, falta de senso dos profissionais e falta de dinheiro no mercado.
Abraço, apareçam por aqui sempre.
Armando Vernaglia Jr
Não morreu e como disse o J.Principe passa por uma reciclagem, está se modernizando assim como tudo o que aconteceu nos últimos dez anos. O problema é que o brasileiro no geral só reclama, só mostra caso que joga tudo ladeira abaixo. Tradicionalmente tem medo do sucesso, de mostrar que dá para ganhar dinheiro do seu trabalho honestamente e com gente que valoriza o que é feito por você. Aliás deveríamos apreender com o mercado americano - a crise não acabou, fotógrafos e galeristas estão arrancando os cabelos com a queda de vendas e de valores - mas esses eram absurdamente fôra da realidade, como gostaria que não o fossem! Mas outra expõe, mostram vídeos do que estão fazendo e realizam workshop sem medo de mostrarem o que fazem, pois possuem a confiança necessária para isso, que o diferencial são eles e já estão um passo a frente dos demais.
Aqui parece que é vergonhoso ganhar dinheiro, falar a respeito disso, aqui o fotógrafo famoso leva cinco assistente para fazer um click depois reclama que cobrou barato - acordem o mercado que contrata seu serviço sabe que não é necessário todo esse glamour e quer eficácia.
Na real temos que admitir que cada vez mais estamos próximos como prestadores de serviço do Você S/A, estrutura enxuta, eficaz, rápida que entrega qualidade ao preço justo para ambos os lados. A Você S/A tem que saber exatamente e que seguimento que estar e saber tudo sobre ele. Não adianta ser o fotógrafo eclético que sabe resolver “n” situações. Creiam-me, por experiência própria esse fotógrafo não existe mais. Há muito oferta de serviço e de prestador de serviço, Você S/A precisa ser conhecido e não dá para ser conhecido em todos os segmentos que o eclético fotógrafa. Estamos em tempo de especialidades dentro da especialidade. Abs
Fala Pepe, seja bem vindo por aqui.
A questão de morreu ou não morreu é mais uma provocação, mas de alguma forma, se o profissional for trabalhar com vídeo, edição, photoshop, web, design e fotografia, chamar esse profissional de fotógrafo parece meio estranho.
De fato no Brasil parece vergonhoso ganhar dinheiro, toda vez que alguém é bem sucedido, tem uns 200 atrás falando mal.
Não sei se discordo de um ponto, ou se é apenas o jeito como você escreveu isso, mas a questão da especialização. Isso é relativo, uma coisa é especializar num segmento, como publicidade, ou moda, ou social etc, outra é especializar em foto estática dentro de um segmento. Hoje ser só fotógrafo é sinônimo de ganhar pouco, tem que diversificar, mas concordo em ser especialista dentro do segmento, ou seja, atuar só com publicidade, ou só com social, mas dentro de uma área dessas, ter opções que envolvam foto estática, video, finalização, edição etc.
[]’s
Armando
Entenda como se especializar dentro do segmento como alguém que o conhece profundamento e gera imagens (fixas ou moveis). Não se trata de ser um fotógrafo publicitário somente e sim ser conhecido como um fotógrafo publitário com especialidade em produtos liquidos, metais brilhantes, etc. A expanção da oferta de profissionais acaba por te obrigar a focar nichos de mercado para se dar bem. Podem ser duas ou até três especializações, mas você precisa ser conhecido por isso para ter seu espaço.
Meu caso: 1 - editorial para revista outdor no geral requer um monte de informação e experiência para fazer e tem muito gente que acha que é só pegar a barca (viagem) e clicar.
2 - Still de pequenos produtos, quase em extinção - em pensava assim até descobrir que o cliente é outro. Até o cara do varejão se dá bem mais tem que estar adaptado a nova realidade, enxuto, eficaz e rápido. Mas quem optou em cotinuar a fazer ganha bem e é conhecido.
3 - Arquitetura (exteriores e interiores) é legal, desafia e ajuda a pagar as contas.
Apesar de poder fazer muitas outras coisas, me concentro nessas, mais a área didática com isso dá para compôr uma remuneração descente, nada fantástico, mas descente.
Agora se meus anos todo de estrada que acabaram me tornando eclético fossem orietados para todos mercados e não seria conhecido em nenhum e sem ser conhecido como posso enfrentar a concorrência? Abs
[…] Em contra partida o fotógrafo Armando Vernaglia pergunta, a fotografia morreu (não deixe de ler esse texto que ilustra muito bem como está a sitaução da fotografia atualmente?) […]
Fala Pepe,
Cara, acho que vou discordar um pouco. =^)
Se aprofundar muito em um nicho, mesmo que você seja muito conhecido nele, é uma posição de mercado vulnerável. No marketing é comum dizer que há duas posições confortáveis no mercado, ou quando você é o mais barato, ou quando é o único. O bom das duas situações é que você tende a monopolizar o mercado, o ruim é que dura pouco.
A estratégia de custo é a mais fácil de ser quebrada, não adianta nem comentar pois não precisa, mas a estratégia da especialização, que tende a ser o único num nicho é delicada, pois vários fotógrafos podem atacar esse segmento ao reparar que você e uns poucos outros atuam nele. Um fotógrafo que tenha nome num outro mercado, mas que esteja sofrendo com saturação pela concorrência, pode usar o peso de seu nome para invadir outro mercado numa estratégia de preço mais agressiva ou com técnicas diferenciadas de venda por vir de outro mercado. É o que aconteceu quando os fotojornalistas demitidos das redações invadiram a área de social e derrubaram um nicho que estava estabelecido há anos.
Agora, concordo plenamente quando você fala em estrutura pequena, rápida, que consiga viabilizar projetos grandes em curto prazo, isso está 100% correto para mim, o que discordo é da alta especialização em nichos. Até por que, quando você é altamente especializado, se acontecer uma virada no seu mercado você tem pouca margem de manobra para sair sem falir. Veja os fotógrafos de carros para publicidade, é um mercado em vias de extinção e quem só fazia isso tende a ter problemas sérios.
Tem um livro bom chamado A Estratégia do Oceano Azul, fala de diferenciação, construção de marcas diferenciadas, de exploração de nichos vazios etc, mas lá também há o aviso de que essa estratégia sempre tende à necessidade de mudar de novo no médio prazo, pois o nicho descoberto será invadido, e antes disso o desbravador tem que ter aberto outro nicho. É um trabalho constante de inovação do próprio negócio, o raciocínio vale para fotógrafos com certeza.
Abração,
Armando
Por um caminho um pouco diferente, tentei discutir no meu blog porque a fotografia não morrerá: http://www.iconica.com.br/?p=314 .
Fica o convite e parabéns pelo post.
Ronaldo
Oi Armando,
Gostei do texto e me senti na obrigação de postar aqui um comentário. A fotografia nunca morrerá mas agora passa por uma fase de mudanças extremas.
Todas profissões mudam, por que a de fotógrafo não irá mudar? Se hoje um booker virou fotógrafo, uma dona de agência virou dona de estúdio e se as empresas preferem comprar fotos por 10 dólares em bancos de imagens na internet, o que podemos fazer? É importante sim que os fotógrafos se unam para valorizar a profissão mas é impossível lutar contra as leis que regem o mercado.
Cabe ao fotógrafo lutar contra sua própria zona de conforto e buscar alternativas, outras formas de se inserir no mercado ao invés de lançar blasfêmias sobre seus colegas e clientes inexcrupulosos.
Me parece que existe um câncer que ataca uma parte dos colegas da área que preferem reclamar dos problemas e da falta de trabalho ao invés de correrem atrás de novas fontes de renda ou de novas oportunidades comerciais dentro da área.
Concordo com você quanto ao fato de se alguém ganha dinheiro com a fotografia, 200 más línguas metem o pau, pois é muito fácil falar não é verdade? Esse é o sntimento da inveja, pouco dígno mas bem presente na área que ainda é comandada por EGOS.
Eu venho de uma área, a construção civil que é bem mais competitiva que a fotografia e isso me ajudou de certa forma já que lá éramos proibidos de reclamarmos e obrigado a revintar o negócio dia após dia.
Leiam o livro A Estratégia do Oceano Azul e vocês entenderão melhor do que eu falo aqui. Como diz um amigo meu, o melhor remédio para vender mais e ter sucesso na vida profissional é o método TBC (Tirar a bunda da cadeira).
Um abraço Armando e leitores!
Vinicius Matos
Me esqueci de dizer o que colocaria na lápide:
“A fotografia continua viva mas aqui jaz um fotógrafo que não quis mudar”.
Fala Vinicius,
Legal ver seu comentário por aqui. Concordo em boa parte, eu sempre cito Darwin nessa questão, quem sobrevive não é nem o mais forte, nem o mais inteligente, mas o mais adaptável.
Mas há um fato que considero inegável, o mercado, ao contrário do que alguns dizem, está encolhendo e muita gente boa ficará de fora por ser pouco adaptável.
O espaço para a fotografia na sociedade e nas mídias está aumentando, mas o quanto desse mercado é rentável está diminuindo então o mercado que interessa é o que na verdade está encolhendo devido aos vários nichos que estão desaparecendo, substituídos por alternativas de menor custo ou maior flexibilidade, casos que citei como fotografia de books, carros, produtos, que vão sendo substituidos por outros profissionais mais inseridos no nicho ou por alternativas tecnologicas como o 3D.
O mix oferecido por um fotógrafo hoje é diferente do que era possível 5 anos atrás, imagine se falarmos de 10 ou 20 anos.
O livro Oceano Azul é bom, já o li e apliquei muitas vezes, mas ele não soluciona uma questão central, que é a capacidade do próprio profissional se adaptar, isso muitas vezes é mais psicológico e complexo de trabalhar do que apenas a pessoa ter vontade de mudar, zona de conforto é uma praga.
Abração,
Armando
Legal Armando. Só acho que tem muita gente que perde muito tempo reclamando da mudança do mercado e esquece de que ninguém pode lutar vencer a e macroeconomia mas sim se adaptar a ela. Realmente nas épocas de crise os dinheiro não some, ele troca de mão então se o mercado da fotografia de produtos está cada vez menor alguma outro ramo da fotografia ou nicho da economia está ganhando, como vc mesmo citou sobre o 3D. Abraços e continue gerando belas discussões!
Concordo que está difícil manter a fotografia como profissão hoje em dia, principalmente os da “velha guarda” como eu que tenta manter os princípios…e o mercado muda constantemente em virtude de todos os assuntos abordados aqui ta havendo sim uma “banalização fotográfica” parece que todos se preocupam só com $$$… a ética,o aprendizado não tem mais peso no mercado parece que é tudo igual!!!!!por outro lado o Mundo nunca teve tanto acesso a “imagens” como nos dias de hoje…pq é possível fazer “imagens” até com canetas…aquela “cortina” que havia entre nós Fotógrafos e as pessoas comum a área que valorizava nossos trabalhos e técnicas caiu com o Digital e estamos pagando um preço alto por isto…agora aperta o botão que sai o restante da se um tapa no Photoshop e o cliente não ve a diferença só -$$$$….
sidnei louzã