Arquivo de Novembro de 2009

A Fotografia Morreu?

Se sim, oremos pela alma da falecida, lembremos dela em seus áureos tempos de glamour, fama, dinheiro e principalmente dignidade. Se não, é bom chamar os médicos pois a situação da doente é grave.

Não estou falando da fotografia como forma de expressão visual, artística, nem da fotografia como meio de comunicação ou como documento histórico. Mas a profissão fotógrafo, como meio de vida e obtenção de sustento digno para uma pessoa ou família, essa é a moribunda.

Levanto este assunto baseado em alguns casos recentes:

01 - Visitei uma das únicas e tradicionais galerias de arte fotográfica aqui de São Paulo, passei uma hora apreciando trabalhos belos e criativos de nomes consagrados de nossa fotografia. Ao longo do tempo em que estive lá o telefone não tocou e fui a única pessoa por ali. As paredes desgastadas, as lâmpadas queimadas e a porta trancada esperando que toquem a campainha indicam que o movimento é dos mais baixos.

02 - Conversei com o ex-assistente de um dos maiores nomes de nossa fotografia publicitária brasileira. Ele havia sido demitido pois o famoso profissional estava há seis meses sem nenhum trabalho e teve que dispensar os préstimos do jovem iniciante na profissão.

03 - Numa lista de discussão de fotografia um ótimo e conhecido fotógrafo do Rio de Janeiro reclamava de uma escritora que desejava contratá-lo para uma foto… de graça. A dita cuja ainda o considerou grosso quando ele argumentou que não poderia atendê-la naqueles termos.

04 - Um amigo fotógrafo abandonou a área de fotografia de moda após dez anos clicando catálogos, books e campanhas nesse segmento. Resolveu fotografar casamentos. Ele está chateado com o fato de que maquiadores e bookers estão tomando espaço dos fotógrafos no mercado de books e composites para agências de modelo. Esses profissionais têm um trânsito fácil entre as pessoas do “mundinho fashion”, não sabem fotografar nada, mas isso parece não importar muito.

05 - Por fim, para os que gostam de fotografar carros, já ouvi 3 bons nomes da fotografia publicitária comentando que a fotografia nessa área está com os dias contados, as grandes campanhas de carros são feitas em 3D.

Isso sem falar das empresas que prestam serviço para o governo e os grandes bancos que querem foto de graça como já mencionei aqui.

É, parece que a profissão fotografia morreu mesmo… o que podemos escrever na lápide da pobre defunta?

[]’s
Armando Vernaglia Jr
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Amanhecer em Mongaguá - Sol, nuvens e mar dando espetáculo para quem acorda cedo =^)

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Diário de Bordo 2

Poucas vezes publiquei aqui no blog os meus “diários de bordo”, acontecimentos nefastos, curiosos ou apenas engraçados que cercam um profissional de imagem. Sendo assim, segue um recente:

No mês de maio deste ano (2009) recebi um pedido de orçamento, a empresa ainda não era minha cliente e não verdade continua não sendo. O trabalho seria fotografar alguns escritórios da empresa em prédios comerciais de São Paulo, um trabalho interessante, não muito complexo, mas agradável de fazer.

Após uma troca de telefonemas para tirar dúvidas elaborei minha proposta e enviei por e-mail. Nada de respostas, liguei para saber se tinham recebido e a resposta foi “sim, vamos avaliar”.

O tempo passou, passou mais um pouco, mandei mais um ou outro e-mail e não obtive resposta. Considerei que o trabalho estava perdido, provavelmente alguém havia feito preço melhor que o meu.

Em outubro deste ano me telefonam para retomar o trabalho, o orçamento estava aprovado e queriam uma reunião para acertar detalhes. Ok, assim foi feito e lá fui conhecer a empresa e ajustar o que fosse necessário.

Saí de lá com a promessa: “o financeiro vai te ligar para os detalhes da nota fiscal e do pagamento”.

Foram 3 longas semanas até o citado telefonema e quando veio havia uma queixa sobre a forma de pagamento. Sempre peço uma parte adiantada e tinham aprovado o orçamento com isso junto mas agora não queriam mais.

Como é melhor ser maleável e garantir o trabalho sugeri prazo normal de faturamento da empresa. Não serviu, quiseram parcelas para 30 e 60 dias. Ok, ok, ok, vamos fechar logo isso então? Vou mandar a nota fiscal.

Mando a nota, e o financeiro liga reclamando de eu ter emitido a nota sendo que o trabalho não tinha data prevista. Como não tinha data? O presidente da empresa assina aprovando o orçamento, o marketing liga e marca reunião, o financeiro liga e manda o cadastro da empresa para eu emitir a nota, aí eu mando a nota e não pode?

O financeiro falou que ia desconsiderar a nota e quando eles marcassem a foto ele começava a contar os 30 e 60 dias. Como não sou bobo nem nada, cancelei a nota percebendo que eu pagaria imposto e não receberia o trabalho nunca.

Acho que eu estava certo, já tem umas 3 semanas e ainda não marcaram as fotos… cada um que aparece. Tenho que lembrar dos conselhos de meu advogado e mandar o contrato junto com o orçamento.

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Armando Vernaglia Jr
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Refresh - Soda, gelo, laranja, técnica e paciência