Crise de Imagem - o Caso HSBC
Dias atrás o banco HSBC deu início a uma ação de marketing chamada Palco HSBC, entre os muitos braços desta ação, um envolvia a realização de um concurso fotográfico através do site Flickr, maior rede social de fotógrafos do planeta.
A crise de imagem começa com o regulamento do referido concurso que foi muito mal recebido pela comunidade fotográfica, especialmente por aqueles que como eu, atuam profissionalmente como fotógrafos.
A revolta não aconteceu por acaso, o regulamento continha afrontas claras a lei número 9610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, que passavam por uma cessão irrestrita de direitos das imagens para que o banco utilizasse como bem entendesse, fosse para os fins do concurso ou até para campanhas publicitárias de alcance mundial, entre outros pontos.
Iniciou-se assim uma enorme gritaria na internet, o grupo Palco HSBC no Flickr foi tomado por queixas, dezenas de fotógrafos colocaram a mensagem “Diga Não Ao HSBC” em seus avatares e perfis públicos, diversos blogs publicaram textos contra o banco e levaram adiante a mensagem negativa, no Twitter e nas listas de discussão por e-mail ocorreu o mesmo. Ilustradores e designers se juntaram a causa e também ecoaram o brado “Diga Não Ao HSBC”.
O número de pessoas atingidas pela mensagem passou da casa das milhares em poucas horas, o estrago na imagem do banco estava feito.
Fotógrafos, ilustradores e designers são um ótimo público para bancos, muitos precisam ter contas para pessoa física e jurídica, alguns recebem pagamentos do exterior, tomam empréstimos para comprar equipamentos caros, compram serviços de seguro, enfim, são clientes desejáveis por qualquer instituição financeira, e logo junto a este público o eco negativo se alastrava com força.
Veio então a público o diretor de marca e digital do HSBC, Sr. Carlos Alves na tentativa de apagar o incêndio, informou sobre a imediata reformulação do regulamento e tentou apaziguar ânimos mas já era tarde, a desconfiança reinava.
O novo regulamento do concurso veio, bastante melhorado em relação ao anterior pois retirou os pontos potencialmente ilegais, evidenciou a necessidade de inclusão de créditos aos autores e deixou mais claro que caso as imagens fossem usadas posteriormente em campanhas, haveria pagamento negociado com os fotógrafos vencedores do concurso.
Ainda há falhas no regulamento, falta clareza na definição de pontos que envolvem a tal ação “Palco HSBC” na qual as fotos serão usadas. A discussão ainda acontece no Flickr e em listas, fóruns e blogs pela internet, um pouco mais morna é verdade, mas é possível dizer que a imagem negativa deixada no início não foi apagada nem corrigida até o momento.
Como evitar um papelão desses? Uma palavra apenas: PLANEJAMENTO.
Com um pouco de planejamento haveria o cuidado de por exemplo, consultar o público potencialmente atingido e verificar se o regulamento condizia com os interesses dessas pessoas, contratar um advogado especializado em imagem também seria útil para evitar afrontar uma lei tão conhecida.
Apesar das medidas necessárias serem simples, o descuido, a pressa e a contratação de uma agência de publicidade ruim fizeram com que uma grosseira bobagem como essa fosse feita e gerasse tanto estrago.
Fica a dica para todas as empresas, se vão fazer um concurso de fotos, consultem fotógrafos e associações de classe, além de dar uma boa lida nas leis pertinentes. E para fotógrafos, leiam com atenção os regulamentos de concursos, em caso de dúvidas consultem advogados antes de realizar a inscrição, se for o caso, reclamem, tornem a insatisfação pública, pois só assim as empresas irão aprender a trabalhar de maneira mais ética, planejada e respeitosa.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/
Ps.: Ilustro com uma foto de vinho que fiz recentemente, assim levanto um brinde aos fotógrafos que iniciaram e propagaram este levante contra um regulamento leviano, foi um dos raros momentos em que vi a classe fotográfica unida.

Cheers!
Os ilustradores apoiaram os fotógrafos e participaram intensamente das reclamações feitas junto ao HSBC, onde os fotógrafos tiveram o nosso apoio o tempo todo.
Os ilustradores sofrem constantemente desse tipo de abuso pelos mais variados concursos todos os dias, e por isso sentiram na pele o quanto o HSBC estava sendo abusivo.
Parabéns aos fotógrafos por terem conseguido, em questão de horas, pressionar o HSBC a uma mudança tão rápida… um brinde a todos!
)
Parabéns a todos !
Será que a “catigoria” caminha finalmente pra luz, Caroline ? rsrs
Esperamos que sim…
Parabéns ao Urch e ao Armando, que enfrentaram episódios coincidentemente tão próximos, e a todos que se uniram em nome da valorização da profissão de fotógrafo.
Abração
PS :
Armando, um brinde também a sua belíssima foto !
Linda, linda, linda demais !
Sempre se superando e nos surpreendendo !
Quando eu crescer quero ser assim rsrs !
Abraço enorme
Pierre
Armando, eu acompanhei o fato ocorrido. Não extendendo o assunto (imagino que pelos comentários e discussões gerou até um certo desgaste entre os próprios usuários Flickr).
Mas levanto um outro ponto, na verdade é uma leitura que temos sobre a nossa realidade.
Comparando a fotografia hoje com 10 anos atrás se mudou muito. Desde a entrada das eras da digital, velocidade na comunicação, otimização de custos, etc. as coisas mudaram radicalmente.
O que foi bom? Bem, a meu ver eu vejo que a fotografia começou a chegar nas mãos das pessoas através dos celulares, câmeras compactas, computadores… o Flickr é um resultado disso.
O que foi ruim? Perde-se muito o conceito original (digo original seguindo o termo de ser fiel as suas origens) da fotografia em si. Não é preciso mais de filme, limitação de imagens, revelação…e o Flickr é um resultado disso.
O que eu quero dizer com isso?
Hoje existem fotógrafos e “fotógrafos”. Entende o que eu digo? Se o HSBC quiser fotos de graça, com certeza ele vai achar muitos, afinal, tem bastante amadores, alguns que se dizem ser profissionais (só porque fez um curso e tem um equipamento DSRL) e biqueiros.
Mas duvido, duvido que se eles quiserem fotos de nivel profissional vai conseguir de graça. Porque para ele ter um trabalho bom, ele vai ter que lidar com pessoas ferradas e lidar com essas pessoas, tem que pagar e pagar bem!
Eu vejo como o meu mercado (sou formado em design gráfico) caminha para esta realidade. Tem muito amador que faz um trabalho barato. Mas se a empresa quiser um trabalho profissional ele vai ter que pagar para isso. Eu não sou fotógrafo, já me pediram para eu fazer trabalhos com fotografia, mas nunca aceitei, sempre indico para profissionais. Assim os meus clientes me respeitam, sabem com quem estão lidando. Eles sabem que para conseguir um trabalho de alto nível tem que lidar com profissionais de alto nível.
Entende o que eu digo? É essa diferença entre profissionais e amadores que com toda essa evolução tecnológica e social parece que está se mesclando. Mas é aí aonde eu quero chegar. Eu não estou fazendo nenhuma crítica, entendo perfeitamente a infelicidade que a HSBC fez ao promover este “concurso”, apenas estou colocando uma realidade que vivenciamos e acredito que muita coisa ainda está para vir.
Eu ainda não cheguei a uma conclusão exata sobre aonde chegaremos. Mas são minhas considerações!
Abs e boas fotos!
Parabéns aos fotógrafos pela iniciativa! Contem com o apoio dos ilustradores durante esse caos.
Olá pessoal, primeiramente obrigado pelas visitas, aos que estão aqui pela primeira vez, sejam bem vindos.
Ricardo, este foi um caso raro, é comum ver em listas de discussão gente reclamando de concursos, mas raramente na proporção em que foi visto, o provável é que o caso, envolvendo um banco, teve ingredientes para essa explosão pois todos sabem que o que um banco mais tem é dinheiro. =^)
Lincoln, concordo com você, de fato quem quiser um trabalho acima da mediocridade vai continuar tendo que contratar, mas é cada vez maior o número de opções que reunem qualidade e baixo custo, são bancos royalty free, novos profissionais talentosos e sem noção de como ou quanto cobrar, excesso de concorrência num mercado que cresce pouco e portanto força preços para baixo por excesso de oferta e pouca demanda, entre outros fatores, então a pressão que profissionais de imagem são submetidos diariamente é enorme, sejam fotógrafos, cienastas, video makers, designers, ilustradores etc.
A popularização tem dois lados mesmo, há coisas boas e ruins nisso, a capacidade de adaptação e inovação nessas horas é fundamental, novos modelos de negócio surgem diariamente.
Agradeço aos amigos que “twitaram” este texto adiante, Helder, Flavia Pratti, Ricardo Antunes, Montalvo Machado, e minha esposa, Cris, que é ilustradora e sabe bem como desenhista também sofre.
Um brinde a todos!
[]’s
Armando
[…] Isso sem falar das empresas que prestam serviço para o governo e os grandes bancos que querem foto de graça como já mencionei aqui. […]
Olá sou fotografo de loja não de estudio trabalho com revelação, fotos de casamento e 3x4…
E gostaria de dizer que nós fotografos temos que nos unir muito mais, pois uma das grandes rendas de fotografo de loja vai acabar praticamente a partir de janeiro de 2011 que a foto 3x4.. a partir desta data a própria policia civil ira fotografar pois o documento de identidade sera digital e um documento só vai ser a carteira de motorista, cpf e outros..
Vamos nos unir e pedir com que o governo mude isso…
Olá Henrique, obrigado por seu comentário.
Por um lado concordo com o fato de que fotógrafos devem ser mais unidos se quiserem ter alguma chance de obter conquistas junto aos governos para sua classe profissional, por outro, devo discordar da questão específica da fotografia para documentos, pois isso é uma mudança normal de mercado, para a qual profissionais devem estar preparados e saber se adaptar aos novos tempos.
Veja, datilógrafos não existem mais, e tantas outras profissões desaparecem com o tempo pois o mercado assim determina, na vida corrida de hoje, é perda de tempo ter que ir a um laboratório produzir a foto de um documento e depois ir ao lugar que faz o documento, a tendência é resolver tudo num único lugar e não há o que se possa contra argumentar numa questão de mercado como essa.
A fotografia de produtos, onde atuo, foi invadida pelo 3D, eu posso ficar reclamando disso e perdendo trabalho, ou posso me adaptar e fazer outra coisa, ou começar a fazer 3D também… quando uma área de trabalho some devido à mudanças tecnológicas e de mercado, não há nada que se possa reclamar, o que se deve é se adaptar, e rápido, quem não faz isso morre logo e é ejetado do mercado.
O governo só ouve algo e muda algo em favor de classes que representem volumes maiores de arrecadação de impostos ou de maior importância social, e veja que no último caso estão os professores e nem eles conseguem vitórias, isso tendo sindicatos organizados e grande importância social, achar que fotógrafos unidos irão mudar algo é leviano, nem pense nisso, pense nas adaptações possíveis o quanto antes.
[]’s
Armando