BV é Imoral
Minha opinião sobre o BV está no título deste artigo, daqui em diante irei explicar o que é o BV para aqueles que não o conhecem, bem como colocarei os motivos para minha posição a respeito do mesmo.
Primeiramente vamos ao que oficialmente se conhece como sendo o BV. Irei reproduzir um texto da revista Negócios da Comunicação, edição 10 :
“Modelo genuinamente brasileiro, a bonificação por volume (BV) surgiu no início dos anos 60 com o objetivo de ser uma política de incentivo ao aperfeiçoamento das agências de propaganda, seja no que se refere ao desenvolvimento de profissionais, seja pela aquisição de ferramentas que contribuíssem para melhorar a qualidade do trabalho. Criado pele Rede Globo de Televisão - e logo adotado pela Editora Abril - , com o passar dos anos o modelo se espalhou por outras empresas e setores da mídia. O BV é o pagamento de um bônus às agências, proporcional ao investimento total feito pelos seus clientes em um determinado veículo. Em outras palavras, quanto mais publicidade destinada a um veículo, maior é o BV recebido.”
Oficialmente é isso, o meio de comunicação paga para agências uma porcentagem pelo volume veiculado. Só isso já seria suficientemente prejudicial ao mercado, pois leva à concentração de investimento em poucas mídias que pagam mais em detrimento do que é melhor para o cliente anunciante, isso é ruim mas não é o assunto deste artigo.
Tratarei de algo que nasceu quando alguém achou que se era normal e aceito o BV em grandes mídias, então ele poderia ser normal e aceito em pequenas negociações ao longo de toda a cadeia produtiva da comunicação, que envolve fotógrafos, cinegrafistas, gráficas, designers, ilustradores e outros. Desse dia em diante, o inferno se fez presente e a ética morreu.
Hoje é quase impossível receber um pedido de orçamento de uma agência que não venha com o pedido semelhante a um “favor incluir 5% de BV”, variando a forma, os termos e a porcentagem, mas quase sempre presente.
Da mesma maneira é quase inexistente uma gráfica que logo no primeiro contato em que eu peça orçamento não pergunte algo como “quanto você quer de BV?”
Designers pedem BV para contratarem suas fotos, fotógrafos pedem para a gráfica, gráficas pedem para mais alguém, ilustradores pedem para os coloristas, agências pedem para todos os anteriores.
Recentemente um amigo contou a incrível história na qual uma funcionária do departamento de marketing do cliente queria que ele pagasse 25% de BV para ela sobre um serviço que ele prestaria para a empresa. Ou seja, a tal funcionária está roubando 25% de um orçamento da empresa na qual ela trabalha.
Ruim? Sim, e pode piorar. Os motivos são muitos mas vou me concentrar em inflação, impostos, ética e queda nos lucros.
Quando o profissional recebe o pedido de incluir um BV ou ele retira a porcentagem do seu preço e perde parte do lucro, ou soma a porcentagem e inflaciona o serviço sem ganhar pelo valor mais alto. A segunda escolha é bastante prejudicial aos clientes enquanto a primeira atinge diretamente a qualidade de vida do profissional. Considere ainda que cada centavo extra no orçamento gera aumento de impostos.
Por fim, se não consideramos ético, moral ou correto um político “receber uma graninha” de uma empresa que vai construir um viaduto, por que seria ético, moral ou correto desviarmos qualquer porcentagem da verba de um cliente seja em favor próprio ou de terceiros?
Graças a tudo isso, eu não pago nem recebo BV, se oferecem digo para descontar do preço e quem ganha é meu cliente, se pedem eu não pago. Perco o trabalho e o cliente, mas prefiro trabalhar para quem tem valores éticos.
E você, o que acha disso tudo?
[]’s
Armando Vernaglia Jr
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