Insegurança Fotográfica
Olá pessoal, andei um pouco sumido pois o trabalho aqui no estúdio felizmente esteve a mil. Agora com o trabalho entregue para o cliente, consigo um tempinho para postar algo por aqui.
Aproveito uma postagem feita pelo fotógrafo Pedro Martinelli no blog dele para tratar de um assunto que venho reparando há algum tempo: os fotógrafos estão cada vez mais inseguros.
Com o surgimento da fotografia digital algo novo aconteceu, graças aos pequenos monitores colocados logo atrás das câmeras, os fotógrafos criaram o costume de sempre dar uma olhadinha em cada foto feita, é um tal de apertar botão, tirar a câmera do rosto, olhar, voltar para a posição, clicar, afastar, olhar, e assim vai indo indefinidamente.
Vocês conseguem imaginar que isso antes era impossível? No lugar do tal monitor havia uma tampa que você abria para colocar e tirar o filme. O fotógrafo ficava com o olhar no visor o tempo todo, não afastava a câmera do rosto para conferir nada e tinha que ter segurança de que estava fazendo o certo pois o resultado só viria depois de revelar o filme.
Hoje é diferente. Graças a essa facilidade parece que muitos estudam menos e desta forma precisam mais desse “feedback” instantâneo, querem saber se estão com o flash bem regulado, se a foto saiu estourada, se a composição está bem feita ou se algo errado aconteceu e por aí vai.
Eu sei que toda vez que vou ao casamento de algum amigo dá um nervoso danado ficar olhando os fotógrafos, que produzem fotos na casa das milhares e entre uma e outra dão aquela olhada rápida no lcd da câmera.
Quero deixar uma dica, de certa forma um exercício. Saiam para fotografar com o lcd desligado, talvez uns sintam alguma tremedeira, comecem a suar frio. Isso se chama abstinência, mas fiquem calmos, respirem fundo e continuem. Fotografem um dia inteiro sem olhar no lcd, deixem para fazer isso em casa no monitor do computador que é bem maior e melhor do que aquele mínimo visor da câmera.
Ao fazer isso vocês perceberão onde erram, se é na regulagem do flash, na fotometria ou quem sabe em ambos. Talvez as composições precisem de ajustes e possivelmente vocês reparem que estão fazendo tudo certo e que podem ter mais segurança ao fotografar, sem ficar o tempo todo se apoiando nessa pequena muleta de poucas polegadas localizada entre você e sua câmera, e que faz você se afastar dela a cada foto.
Se notarem que estão errando na parte técnica, corrijam isso com treino e estudo, talvez com um curso, para quem quiser se aprimorar em fotometria e flash, agora em julho terei cursos aqui em São Paulo e em Curitiba abordando estes temas, vejam na agenda do blog para maiores detalhes.
Depois contem para mim, seja aqui no blog ou por e-mail, como foi o “dia sem lcd”. Da minha parte prometo sair e fotografar com uma boa e velha Olympus Trip e posto aqui os resultados no próximo texto. Fiz a foto que ilustra este artigo em 1998, com uma Pentax movida a filme Ilford HP5.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/

Fala Armando, tudo bem ?
Esse é um bom tópico pra discussão.
As ferramentas vão mudando e nosso comportamento tb.
Embora tenha feito pouco uso dos filmes, acho muito válido o exercício que vc propôs.
É um exercício de segurança, que além disso vai nos poupar tempo. Pois fotografar, apertar o botãozinho pra acessar as fotos, conferir e voltar leva aí uns 10 segundos, fora que aquela telinha não dá parâmetro algum…
Aconteceu, certa vez, eu querer descartar uma foto após vê-la no visor. Resisti. Cheguei em casa e gostei da foto no monitor!
Como minha vocação pra fotógrafo anda meio bipolar (risos) voltei a dar meus cliques.
Vou tentar fazer o exercício com o lcd desligado.
Só espero não ter “delirium tremis” hehehe
Grande abraço
Pierre
PS: Bela foto. 9 de julho ?
Ainda quero fazer um curso de PB com vcs.
Abs
Fala Pierre!
Legal, depois conta como foi o exercício. Isso que você vivenciou é bem real, tem gente que deleta a imagem pelo que viu no lcd, mas o lcd é uma verdadeira porcaria para ver as fotos e nos leva a cometer erros.
Sobre a foto, legal que gostou, é uma estação de trem em algum lugar perdido no interior, não lembro mais, afinal fiz ela há 11 anos, com uma câmera Pentax de filme. Faz parte de uma série, tenho mais de 50 rolos de filme de ferrovias feitos entre 1997 e 1998, eu mesmo revelei tudo no processo mais manual e desprovido de recursos que existe hehehe.
[]’s
Armando
Boa tarde Armando, tudo bem?
Olha, a discussão é muito boa, até porque eu, particualrmente, acho que os recém-ingressos na fotografia vêem a coisa dali em diante.
O racicínio é muito voltado apenas para a era digital, deixando-se pra trás toda a história da fotografia e seus marcos.
Outro dia perguntei em uma aula para os meus alunos, quem conhecia Ansel Adams, e a resposta foi chocante… prefiro nem lembrar.
Mas acho muito legal essa história de desligar o LCD, temos até um curso avançado aqui na Escola de Imagem, onde fazemos dessa forma num determinado momento da prática.
Vou divulgar seu desafio aqui e tomara que mandem fotos e depoimentos pra você aí…
Grande abraço.
Bom dia a todos!
Gostaria de compartilhar uma experiencia minha que tem a ver com o tema.
Há alguns dias atras um casal de amigos me pediu para fotografa-los em uma exposição agropecuaria aqui na região. Foi tudo de ultima hora, não tinha nada pronto. Tive que improvisar em tudo. Já sabia o que me esperava. Luz de olofotes, fracas outras fortes de mais, alguns lugares mais escuros etc, e como eu ia usar uma analogica fiquei tenso pois não queria que aquele momento se perdesse. Já usei digitais muitas vezes. A segurança entre “aspas” que te da em ver a foto lhe deixa mais tranquilo e com certeza mais acomodado o que foi meu caso. Comecei com as digitais e só depois passei para a analogica para entender melhor os conceitos da fotografia.Eu me senti cego sem direção. Hoje me sinto mais seguro e com os olhos mais aguçados. As fotos da exposição ficaram boas superaram minhas espectativas, porem poderiam ter ficado melhores. O treino com o monitor desligado é uma ótima sugestão. Vou usa-lá para treinar e me aprimorar mais.
Valeu!
Armando, ótima foto parabéns e realmente o que você propôs é ótimo e eu queria propor a todos que participem da campanha “África em Nós”, tenho certeza que não vão se arrepender.
Armando, ótima a foto, parabéns e realmente o que propôs é ótimo e quero convidar a todos a participar da campanha “África em Nós”, tenho certeza que vão adorar.
[…] Aproveitando o gancho do grande Vernaglia, que fez uma alusão a era analógica, onde não tínhamos LCD e que trouxe uma certa insegurança a muitos fotógrafos. […]
Vernaglia, é mesmo interessante observar esta questão da insegurança. Porém, no blog do Martinelli, comentei que a fotografia digital nos torna tão dependentes da máquina, que nós mesmos quase nos transformamos em uma peça dela. A “pecinha clicadora”. Percebo isso, quando comparo a quantidade de fotos que fazemos com filmes (eu ainda faço!) e com as digitais. Esta diferença não é somente uma questão de custos, é também uma questão de relacionamentos 1) com a criação artística de uma imagem fotográfica, 2) com o equipamento como uma ferramenta e 3) com o objeto a ser fotografado.
Enquanto tratávamos a fotografia com mais deferência, como uma arte, o momento do CLICK não era uma coisa trivial. Mas agora, na época dos clicks, do duplo click, do click contínuo… Os fotógrafos-clicadores só pensam em não perder o momento. Por isso, clicar, tanto pra capturar, quanto pra deletar, passa a ser uma coisa automática, ou seja, que se faz sem reflexão, sem uma pré-meditação, sem o momento inspirador da arte.
Olá pessoal, obrigado pelos comentários, citações, republicações etc, valeu! =^)
Thomas, comentei lá no blog do Pedro também, mas ainda não entrou, o ponto está aí no que você disse, na sociedade atual, cada vez mais tecnológica e automatizada, a fotografia embarcou no mesmo trem e se tornou um processo mecânico. O problema da insegurança é mais um dentro desse caldeirão, mas não o único, e você tem razão.
Agora, como fazer com esse automatismo todo? Como retornar ao ato artístico e pensado? Como voltar a pensar no que a imagem comunica, no que queremos falar com nossas fotos se deixamos tudo isso automatizado, clicando aos montes para não perder um momento, sendo que um Bresson não perdia um momento e clicava tão pouco?
Acho que quanto mais clicamos, mais perdemos momentos… fotógrafos de casamento estão quase filmando o casamento de tantas fotos que fazem, e as coberturas estão cada vez mais frias e sem graça.
É para pensar, refletir, obrigado por seu comentário.
[]’s
Armando
Eu estava quase viciado no LCD em eventos sociais, felizmente percebi e comecei a cuidar mais. Ainda dou minhas olhadas mas é porquê não confio nas digitais. Com filme usava uma Nikon N8008 no manual e flash SB 24 em TTL e os negativos ficavam equilibradíssimos, dificilmente tinham fotos muito claras ou muito escuras. Hoje em dia uso D80 com flash SB 800 e não sinto a mesma confiança, sempre tenho que ficar compensando e corrigindo, não funciona como antigamente. Não sou só eu que percebi isso, muitos outros fotógrafos que conheço também perceberam. De qualquer forma uso o LCD o menos possível, não quero surpresas depois.
Se eu puder participarei do seu curso em Curitiba.
Oziel
Fala Armando,
eu vou extender o assunto. O pior é quando você aprende a fotografar manualmente, ajustando a máquina toda no olho, principalmente porque a quantidade de filmes que você tem é limitada (os filmes são caros e revelar/ampliar também)então com poucas fotos tem que conseguir todas as boas imagens que precisa e aí chega uma tal de digital, dessas compactas, que até tem boa imagem mas não te deixam fazer nada e te obrigam a olhar o visor.
Cara, me dá a maior raiva. Sei o que eu quero e como faria com uma reflex, mas não tem jeito de fazer igual nas Cyber-shots da vida.
Eu estou desaprendendo a fotografar porque até o enquadramento eu faço pelo visor por causa da paralaxe. Credo!
Preciso de uma reflex urgente! hehehe
[]´s
Ricardo
[…] No artigo anterior promovi a idéia de um dia sem lcd na vida fotográfica de cada um, sair para fotografar sem olhar o tempo todo no monitor da câmera, deixando para fazer isso em casa no computador. […]
Beleza de sugestão, Armando, como sempre.
Eu desliguei o LCD da minha câmera há muito tempo. Elas vem configuradas de fábrica para mostrar automaticamente a foto após ser batida, mas eu desliguei isso, e, como você, recomendo a todos que o façam.
É claro que ainda olho, de quando em quando, para conferir se está tudo OK, se o que pensei para aquela foto estava certo. Mas é tão diferente de depender do LCD para ajustar a imagem, de não pensar.
Pensar antes, esse é o barato. Ter a foto pronta, a imagem formada na cabeça. Me fez, como você previu, bem mais seguro do que faço.
Olá pessoal, mais uma vez obrigado pelos comentários.
Ricardo, é triste, para quem aprendeu tudo em reflex de filme, é meio traumático se adaptar, mas pense assim, compacta digital é outra linguagem, tem que trabalhar de outra forma, saber explorar o que ela tem de bom em termos de portabilidade, praticidade etc, mas não podemos comparar com uma reflex, seja ela de filme ou digital.
Ozeil, flash em digital tem seus truques, mas é como você disse, para quem tinha um esquema funcionando em filme, o digital mudou tudo, é possível ter a mesma estabilidade no digital, mas o método de trabalho acaba tendo que mudar.
Stefano, é por aí, com o tempo você fica mais seguro, rápido e preciso se não ficar confiando no lcd, exatamente por raciocinar antes de apertar o botão. Quem usa o lcd para corrigir tudo está sendo reativo ao erro, e não preventivo.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
Armando, gostei de ler esse texto.
Comecei a fotografar a um ano e meio, já no digital. Naturalmente, me “viciei” em conferir as fotos recém tiradas no LCD. Percebendo que devia corrigir isso, arrumei uma câmera a filme (e também pela vontade de experimentar a fotografia analógica). Essa câmera é todas manual, me forçando a prestar atenção a cada configuração que influencia no resultado final.
Com isso, imagino que há quanto mais tempo alguém começou a fotografar (quanto mais menos automáticas eram as câmeras), a tendência é dominar mais o processo fotográfico como um todo.
Obrigado por compartilhar suas reflexões sobre a fotografia. Abraço!
Olá Armando, o exercicio que vc propôs é maravilhoso, sim. E o lcd engana e muito.
Já fiz isso e fiquei viciada. Tiro fotos sem fim e depois oolho.
Bjs e dias felzies.
Eu até dou uma olhada no LCD mas ele engana mto. Só dá pra ver direito na tela do micro mesmo. Acho que a digital tem esse lado ruim do instantâneo. No filme a gente tinha que pensar mais a foto..