Arquivo de Julho de 2009

Pensa que é fácil?

Tem quem pense que é fácil ser fotógrafo, mas a verdade não é bem essa.

Recentemente tive a honra de receber mais um grupo de alunos em meu curso de Fotometria + Flash, esta foi a décima quarta turma, e em termos climáticos a mais azarada.

No meio de um dos invernos mais chuvosos que já vi, passamos um sábado inteiro, das 14h30m até aproximadamente 22h00m tomando chuva e passando frio no Parque do Ibirapuera. As temperaturas variaram entre 9 e 12 graus, e a garoa não parou por um único minuto.

Seja como for enfrentamos essa condição desagradável e trabalhamos por horas e horas falando de fotometria, identificação do cinza médio 18%, utilização correta do sistema de flash TTL e também formas para calcular a potência de luz manualmente para quando os automatismos não funcionam adequadamente. Vimos um bom tanto de matemática falando de razões e frações, outro tanto de física optica, entre outros assuntos da técnica fotográfica.

Abaixo seguem algumas fotos que fiz bem como a turma de corajosos, composta por (da esquerda para a direita): João Paulo, Marcel Maggion, Ricardo Kawano, Vernaglia, Jeferson Evangelista, Daniela Matheus, Natana Bruna e Bruno Tombi.

 MG 1977 - Oca, obra de Niemeyer, Parque do Ibirapuera

 MG 1976 - Oca, obra de Niemeyer, Parque do Ibirapuera

 MG 2018 - Alunos da Décima Quarta Turma do Curso de Fotometria

Para quem pensa que é só comprar uma câmera e sair “clicando”, devo dizer que a fotografia pode ser, literalmente, um banho de água fria. Mas não para esta corajosa turma, que no dia seguinte ainda enfrentou mais oito horas em sala de aula praticando o uso de flash e tirando dúvidas.

Agora vamos à décima quinta turma, em Curitiba, nos dias 31/07, 01 e 02/08.

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Armando Vernaglia Jr
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ps.: para iluminar a foto da turma, foram utilizados 4 flashes disparados e controlados pela câmera, uma das técnicas comentadas no curso.

Fundo do Baú 2

Várias pessoas gostaram da série de fotos antigas que tenho postado, então resolvi revirar mais um pouco o fundo do baú para ver o que mais posso tirar dele.

Como citei anteriormente, fiz essa série entre 1997 e 1999, mais precisamente entre março de 1997 e janeiro de 1999. No total são cerca de 200 rolos de filme 36 poses preto e branco, que revelei um por um. Sempre que eu tinha um tempo livre ia direto para alguma estação de trem buscar novas imagens. Foi um processo cansativo e demorado, mas que valeu a pena.

Na época eu tinha intenção de fazer uma exposição. Isso infelizmente não aconteceu pois dei prioridade ao trabalho comercial com fotografia publicitária.

Não me arrependo dessa escolha pois ela garantiu o reconhecimento que tenho hoje, clientes e trabalho, mas penso que chegou a hora de mostrar essas fotos de alguma forma.

Em minha conta no Flickr coloquei um álbum com uma pequena parte dessas fotos, é o que tenho digitalizado no momento, com o tempo vou escanear todo o material e atualizo aqui no blog.

Essas fotos fazem parte da história, muito do que é visto nelas sofreu alterações: algumas estações foram reformadas, outras abandonadas, entre outras tantas coisas que aconteceram nos mais de dez anos que separam essas fotos da atualidade.

Abaixo seguem mais algumas, espero que gostem.

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Ferrovia 1998 - Perspectiva - FE025pq

Ferrovia 1998 - Entrada abstrata - FE050pq

Ferrovia 1998 - Poluição - FE057pq

Ferrovia 1998 - Penha - FE019pq

Do Fundo do Baú

No artigo anterior promovi a idéia de um dia sem lcd na vida fotográfica de cada um, sair para fotografar sem olhar o tempo todo no monitor da câmera, deixando para fazer isso em casa no computador.

Como ainda não fiz minha parte de fotografar o dia inteiro sem conferir no lcd, resolvi postar algumas fotos de um tempo onde este tipo de acessório não existia, um material que fiz entre 1997 e 1999.

Na verdade já existiam câmeras digitais e o lcd estava lá, mas eram os primórdios da tecnologia. A resolução de uma câmera profissional era de assombrosos dois megapixels e o lcd era uma droga. Tome como exemplo o review da Kodak/Canon DCS 520, feito pelo site Dpreview em 1999.

Mas voltando ao meu baú de fotos antigas, entre 1997 e 1999 acumulei uma longa série de negativos, em geral com filmes Ilford HP5 e Kodak Tri-X, que revelei usando o velho D76. Naquela época eu gostava de fazer experiências de laboratório, alterando concentrações de químico ou trabalhando com temperaturas não recomendadas. Buscava assim variações de contraste e granulação.

As fotos deste artigo são desse tempo e mostram parte dessas experiências, algumas estão granuladas e contrastadas, um resultado que eu gostava pois dava uma cara antiga às imagens. Essa aparência era obtida utilizando revelador com concentração 1:1 em temperatura acima da recomendada na bula do revelador. Se quisesse algo menos granulado era só diluir o revelador e trabalhar com ele mais frio. Hoje tudo isso está embutido no Photoshop.

Em termos de composição vejo nessas fotos muito do que desenvolvi ao longo do tempo, como as composições matemáticas, com linhas fortes, ângulos e pontos de fuga, assim como o uso de contra luz para acentuar contornos. Muito do que se vê hoje em minha fotografia já estava nessas imagens feitas há mais de dez anos.

Antes que digam que estou parecendo um vovô saudosista, devo afirmar que não troco minhas digitais e meu Photoshop por nada, a tecnologia veio para ajudar e o trabalho ficou mais rápido, prático e com altíssima qualidade de imagem digital. Apenas gosto de revirar o baú de vez em quando para ver o que fiz ao longo dos tempos e qual a história que estou escrevendo nesta arte que é a fotografia.

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FE053 - Rio Grande da Serra, Ilford HP5, Pentax MZM

FE023 - Estação Barra Funda, Ilford HP5, Pentax MZM

FE020 - Estação Brás, Ilford HP5, Pentax MZM

FE006 - Estação da Luz, Ilford HP5, Pentax MZM

Insegurança Fotográfica

Olá pessoal, andei um pouco sumido pois o trabalho aqui no estúdio felizmente esteve a mil. Agora com o trabalho entregue para o cliente, consigo um tempinho para postar algo por aqui.

Aproveito uma postagem feita pelo fotógrafo Pedro Martinelli no blog dele para tratar de um assunto que venho reparando há algum tempo: os fotógrafos estão cada vez mais inseguros.

Com o surgimento da fotografia digital algo novo aconteceu, graças aos pequenos monitores colocados logo atrás das câmeras, os fotógrafos criaram o costume de sempre dar uma olhadinha em cada foto feita, é um tal de apertar botão, tirar a câmera do rosto, olhar, voltar para a posição, clicar, afastar, olhar, e assim vai indo indefinidamente.

Vocês conseguem imaginar que isso antes era impossível? No lugar do tal monitor havia uma tampa que você abria para colocar e tirar o filme. O fotógrafo ficava com o olhar no visor o tempo todo, não afastava a câmera do rosto para conferir nada e tinha que ter segurança de que estava fazendo o certo pois o resultado só viria depois de revelar o filme.

Hoje é diferente. Graças a essa facilidade parece que muitos estudam menos e desta forma precisam mais desse “feedback” instantâneo, querem saber se estão com o flash bem regulado, se a foto saiu estourada, se a composição está bem feita ou se algo errado aconteceu e por aí vai.

Eu sei que toda vez que vou ao casamento de algum amigo dá um nervoso danado ficar olhando os fotógrafos, que produzem fotos na casa das milhares e entre uma e outra dão aquela olhada rápida no lcd da câmera.

Quero deixar uma dica, de certa forma um exercício. Saiam para fotografar com o lcd desligado, talvez uns sintam alguma tremedeira, comecem a suar frio. Isso se chama abstinência, mas fiquem calmos, respirem fundo e continuem. Fotografem um dia inteiro sem olhar no lcd, deixem para fazer isso em casa no monitor do computador que é bem maior e melhor do que aquele mínimo visor da câmera.

Ao fazer isso vocês perceberão onde erram, se é na regulagem do flash, na fotometria ou quem sabe em ambos. Talvez as composições precisem de ajustes e possivelmente vocês reparem que estão fazendo tudo certo e que podem ter mais segurança ao fotografar, sem ficar o tempo todo se apoiando nessa pequena muleta de poucas polegadas localizada entre você e sua câmera, e que faz você se afastar dela a cada foto.

Se notarem que estão errando na parte técnica, corrijam isso com treino e estudo, talvez com um curso, para quem quiser se aprimorar em fotometria e flash, agora em julho terei cursos aqui em São Paulo e em Curitiba abordando estes temas, vejam na agenda do blog para maiores detalhes.

Depois contem para mim, seja aqui no blog ou por e-mail, como foi o “dia sem lcd”. Da minha parte prometo sair e fotografar com uma boa e velha Olympus Trip e posto aqui os resultados no próximo texto. Fiz a foto que ilustra este artigo em 1998, com uma Pentax movida a filme Ilford HP5.

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Ferrovia-1998 - Linhas, retângulos e triângulos numa composição clássica