Triste, mas verdadeiro…
Normalmente só posto fotos, vídeos e textos de minha autoria por aqui, mas achei necessário postar o vídeo abaixo, dica do amigo Danilo via Update Or Die
É uma triste realidade, ninguém fica “pechinchando” quando compra comida no mercado, mas fazem isso com a prestação de serviços. Você pode querer uns descontos aqui e ali, pode desejar parcelamentos, isso é normal. Mas ninguém propõe a um chef de um restaurante que cozinhe de graça para fazer um teste ou decide comprar um CD sem pagar pois quer ouvir e ver se gosta.
Infelizmente é comum ouvir propostas desse nível quando se vive em profissões como fotografia, design, ilustração e outras. Já ouvi dezenas ou centenas de vezes frases como: “é possível fazer essa foto agora como um teste e no próximo trabalho acertamos um valor?”, ou quem sabe “que tal fazermos assim, eu posso te pagar metade disso, mas no próximo trabalho compensamos”, e ainda, depois de aprovar um orçamento e receber o trabalho dizer “olha, estamos numa situação difícil, iremos pagar, mas só poderei fazer isso em 60 dias”. Entre outras.
Sabem, se ninguém divide comigo os lucros dos bons tempos, por que querem sempre dividir os prejuízos?
Vejam o vídeo:
[]’s
Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/
Que bom que todos entendem ingles, afinal de contas é a nossa lingua!
Luiz, entendo sua crítica, infelizmente não consegui achar uma versão desse vídeo com legendas em português.
De qualquer forma, o vídeo mostra situações onde alguém entra no restaurante e diz que não tem verba para pagar aquela conta, que quer pagar outro valor, uma mulher que no salão diz só ter dinheiro para um serviço simples, mas que quer que seja feito o mais sofisticado por aquele dinheiro, como um teste, para ver se o marido dela aprova, e outro que quer comprar um DVD mas pagar menos dizendo ao vendendo que é uma oportunidade de negócios… ou seja, o que prestadores de serviços ouvem diariamente, mas que dentro de outros contextos fica obviamente sem sentido, então por que faria sentido na fotografia ou no design?
Essa é a mensagem do vídeo. Obrigado pela visita.
[]’s
Armando
Ola Vernaglia ja o acompanho ha algum tempo.
Talvez o titulo do post seja bastante adequado: “Triste, Mas Verdadeiro…”. Contudo, eu apenas diria Verdadeiro. O triste deixaria por interpretacao de cada um.
As pessoas nao pechincham comida no mercado por algumas razoes:
- Primeiro, nao tem acesso a pessoa que tem poder de decisao sobre um desconto. Voce nao vai pedir o desconto no mercado para a pessoa que trabalha no caixa, ou o promotor que tem escrito nas costas ‘Como posso te ajudar?’.
- Segundo, supermercados e um campo bastante concorrido e existem profissionais na area administrativa que trabalham exclusivamente na formacao de precos, e eles sabem bem o que fazem. Cientes dessa concorrencia, os precos estao de uma certa forma no limite. Claro que ha aqueles itens que sao os chamarizes e ficam estampados no jornal do supermercado, e outros itens com markup mais alto. Mas existe um custo inerente a voce comparar o tempo todo, e o custo de voce se deslocar por diversos supermercados para comprar somente os itens mais baratos. Via de regra, o tempo e combustivel que voce gastaria, nao compensa tal economia de buscar os itens mais baratos de cada supermercado.
- Terceiro, porque produtos sao identicos, e facilmente comparaveis. Uma lata de leite condensado e igual em qualquer supermercado. Isso facilita comparar precos ja que o produto e identico.
As pessoas pechincham mais facilmente em servicos pelas mesmas razoes, e por isso faz todo sentido (em resposta a sua resposta ao Luiz)!
- Ja estao lidando com o fotografo (ou designer), o formador de preco.
- Possivelmente o fotografo sabe qual o limite minimo dele, e o cliente esta no papel dele de chegar a ele.
- Cada prestador de servico cobra muito diferentemente, e por isso o consumidor perde qualquer referencia que ele poderia ter, como no caso do leite condensado. Fotografias boas nao sao unanimidade entre fotografos, e muito menos serao para consumidores medios, que tem criterios mais ‘bizarros’ possiveis para avalia-los. Consumidores medios nao sabem dizer se uma foto foi tirada com uma lente de kit ou uma boa lente, somente para citar um exemplo.
Chefs cozinham de graca o tempo todo, talvez nao para voce. Mas voce sabe que existem materias pagas em revistas, e que o critico nao paga (ate recebe do chef) pelo que come para elogia-lo? Fotografos e designers competentes precisam ter um portfolio para apresentar. Para tanto cobram barato, ou no limite de graca, para posteriormente mostrarem o trabalho feito, ou serem indicados. Bom, se eu tivesse ouvido uma dezena ou centena de vezes a frase do tipo, facamos de graca agora, para depois cobrar, eu avaliaria de caso a caso. Se tal trabalho potencializa outros pagos, por que nao? Qual o custo marginal para executar tal servico?
Portanto triste? Nao sei, pois e a forma como negocios sao feitos hoje (ou desde sempre). Ha muita coisa boa ‘gratis’ atualmente como emails, blogs e etc, o que em minha percepcao parece que potencializa a falta de percepcao de valor de uma boa quantidade de pessoas, que nao entendem ou nunca ouviram a expressao (que economistas adoram): ‘There is no free lunch’.
Enfim, esta e a realidade, apenas. Mas cuide-se para nao ficar deprimido por interpreta-la como triste.
Abracos e boas fotos!
Eu queria muito “assistir” um cliente vendo um vídeo desses.
Abs.
Danilo
Olá Jorge,
Muito do que você disse é verdade, e sei que existe muito disso, inclusive chef cozinhando de graça.
Mas veja, imagine que você vai a uma reunião numa empresa de grande porte, dessas marcas importantes, e no seu portfolio, tem lá trabalhos para pelos menos umas 9 ou 10 empresas do mesmo porte.
Tem cabimento essa empresa te pedir um teste? Você tem no portfolio as provas de capacidade necessárias, mas pedem o teste.
Agora vamos comparar cenários, na Europa é comum empresas pedirem teste e pagam os custos do teste, isso sim é uma boa prática, além disso, a foto ou ilustração feita para teste não é publicada, é só um teste mesmo.
Aqui querem o trabalho final e chamam de teste, isso já é algo bem complicado em termos éticos por parte do contratante.
Então vamos dizer que o vídeo, e meu comentário, foram um tanto generalistas, é verdade, mas existem casos e casos, e nesse enorme mercado que temos, há muita bandalheira acontecendo.
Para uma empresa, é ótimo ter serviço de qualidade de graça, todos querem isso, mas no final do mês a conta não irá fechar para um dos lados e por isso prestadores de serviço tem que estar atentos ao que fazem, às suas planilhas de custos, e também os métodos que usam para chegar no preço final.
Existe um ponto que é o custo do trabalho, ele sempre existe, e quanto mais complexa a produção, maior o investimento, depreciação de equipamento, software, pagamento de assistentes, locação de lugares, compra de objetos, produção, fora o próprio tempo, então se for fazer um teste de graça, tem que ver isso como investimento, tem que ter objetivo, tem que ser um cliente que valha muito a pena.
Por que se é só para compor portfolio, pode fazer “ghost” que é mais fácil e em certa medida funciona.
Eu já fiz trabalho de graça, às vezes para algum grande amigo ou familiar, as vezes como teste, mas sempre tive como regra que testes não eram publicáveis e assim mantive controle dos processos. Um dos meus melhores clientes hoje nasceu de um teste desses, faz parte, mas temos que ter estratégia para fazer isso funcionar.
Eu não fico deprimido não, pode ficar tranquilo, não estou querendo mudar o mercado, eu me adapto a ele, mas quem começa tem que estar atento a isso tudo.
Apareça sempre, abração,
Armando Vernaglia Jr
Danilo, eu também =^)
[]’s
Armando
Em resposta a sua resposta:
Bom, se uma empresa grande pedir um teste, que assim seja tratado em contrato, ou seja, nao pode ser usado em producao. Basta prever em contrato se o teste for usado, sera cobrado como tal. Mas entendi sua colocacao.
Certa vez uma empresa grande me pediu um favor (nao era fotografia) e me ameacou retaliacao caso nao o fizesse. O ponto e que nao eramos parceiros de nada, e eles nao poderiam retaliar de qualquer forma… Despreparo total dos executivos (o que falar entao sobre etica com essa gente?)! Contudo, o ego humano as vezes faz pessoas agirem estranhamente. Por exemplo, e notado o prejuizo moral do desempregado, pois este alem de nao receber remuneracao (por nao trabalhar) sofre pela rejeicao social por ser um desempregado (visto como um fracassado). Por outro lado, para mostrar trabalho, alguns sim fariam de graca o que foi por exemplo pedido a voce (e voce se recusou), porque se sentiriam orgulhosos de verem seu trabalho ser aprovado por uma grande empresa. Alias, a todo momento eu vejo, acredito que voce tambem, sites de minusculas empresas ostentarem com orgulho logos de grandes empresas dentro de seu portfolio.
O ponto e que o que nao faz sentido para voce, pode fazer todo sentido para os outros. Muito se diz sobre custos mas realmente cada um utiliza criterios bastante diferentes. Por exemplo, nunca se fala sobre sunk costs para fotografos, e so por isso se explicaria uma serie de casos reais.
Nao tome como critica, mas esse video e discurso sao conversas que servem para confortar o fotografo (designer) que se lamenta. O que particularmente nao gosto. Prefiro me orgulhar das pessoas do que lamentar por elas.
Cada vez que vejo este assunto, estou cada dia mais certo que nao ha um preco justo (para todas as partes), nao ha um preco minimo (comum). A forma como tudo e feito hoje, ja e a melhor forma pratica (tristemente, ou nao).
Que tal falarmos sobre Game Theory e Mercados Contestaveis? Ai acredito que poderemos descrever melhor o que acontece, ou porque assim ocorre. Pois a meu ver o mundo nao tem mais conserto!
Mostrar esse video para cliente e assisti-lo, provavelmente nao lhe dara simancol.
Abraco!
Olá Jorge, valeu novamente, gostei da sua argumentação. Tem pontos que concordo, outros não, e assim vivemos em sociedade. =^)
Há sim o caráter relativo do que é justo, certo, ou lógico para mim não ser para outro, o que é custo para mim pode não ser para outro, o que é investimento para mim pode não ser para outro, isso tudo é verdade. Assim como podemos pensar que cobrar depreciação de equipamento não faz sentido, pois o equipamento é necessário ao trabalho, tem que comprar e pronto, é investimento e não custo se pensarmos “sunk costs”. Argumentar ao cliente o quanto investi em equipamento não explica o valor cobrado pelo serviço e portanto não se justifica numa primeira olhada, além disso o preço dos equipamentos varia conforme fatores que não controlamos, mas e aí, como prever o investimento em equipamento futuro se não usar de referência o que foi investido, ou então o preço atual de mercado do equipamento novo. Isso para pensarsmo só em um fator que é o de depreciação.
Sobre teoria de jogos, ela explica muito sobre por que clientes semelhantes, de porte, fama e potencial financeiro iguais, se comportam de formas diferentes, inclusive por considerar o fator indivíduo na decisão, jogos internos de poder etc, li muito pouco sobre o tema para me aprofundar, mas acho que Darwin já explicou isso antes, de outra forma, sobre outro objeto de estudo.
Eu tenho uma visão “Darwiniana” sobre o mercado, sobre adaptabilidade, sobre o mercado moldar adaptações ou as adaptações moldarem o mercado etc, um dia utilizarei o espaço do blog para publicar essas idéias, mas não pretendo fazer isso agora.
Penso que podemos interpretar o vídeo postado por várias opticas, uma delas é a que você disse, de que é um conforto para quem reclama, e de fato é, outra interpretação que tenho e gosto, é de que mesmo considerando fatores maiores de mercado, uma mensagem a ser vista, ampliada e repetida, ganha leitura social, é partilhada por um grupo maior, e em algum ponto pode gerar reflexão e influenciar tomadas de decisão, é a maneira que o final da corrente (prestador de serviço) tem de ecoar uma opinião sobre o que ele pensa e acha justo, e se pegarmos o número de blogs que republicou esse vídeo e o número de acessos que ele teve, o eco da mensagem foi grande e partilhado por muita gente.
Não é que isso apenas mude um mercado, são inúmeros e incontroláveis os fatores que comandam essa coisa intangível que resumimos em uma palavra, mercado, nenhuma teoria matemática irá explicar como um todo isso.
Um cliente ver o vídeo não o faz aprender na hora, mas numa negociação, ele pode ser lembrado disso, o argumento do vídeo pode ser usado como argumento de venda quando se precisa tangibilizar o preço, entre outras coisas.
Entende, não é questão de ter ou não conserto, mas de ajustes finos, adaptações, por parte de clientes e profissionais.
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Armando Vernaglia Jr