Criatividade X Técnica

Há um mito na fotografia de que o aprendizado com profundidade da técnica pode limitar a liberdade criativa. Ouvi diversas vezes isso, dito por alunos e por pseudo profissionais que conheci ao longo dos anos.

Esse mito também acontece em outras áreas, é comum ouvir algo semelhante na música e na pintura, provavelmente ele exista em todas as formas artísticas de expressão que conhecemos.

Devo dizer que aprender algo em profundidade jamais irá cercear ou reduzir sua liberdade criativa, isso é uma imensa bobagem pensada por muitos e repetida por outros tantos, mas é bobagem, nada mais do que isso.

Imagine por um momento se Leonardo da Vinci pudesse imaginar o sorriso da Mona Lisa mas não tivesse a técnica do sfumato para realizá-lo. Podemos também pensar que Michelangelo poderia ter várias idéias sobre sua Pietà, mas caso não soubesse de todas as técnicas e sutilezas da escultura em mármore não chegaria a lugar algum.

Saindo da área artística e entrando no mundo esportivo, qualquer um de nós é capaz de correr 100m, mas fazer isso em menos de dez segundos exige técnica, desde o controle da respiração, passando pela forma de pisar, de mover braços, ombros e de ter controle absoluto sobre mente e corpo. São treinos exaustivos para atingir os resultados.

Mais um exemplo? Vamos lá, Michael Schumacher nunca seria o maior campeão de toda a história da Fórmula 1 se não dominasse a mecânica e engenharia por trás dos carros que pilotava. Ele sabe ajustar tudo no carro para obter os resultados e isso é fruto de técnica, estudo e treino.

Por isso tudo, vamos encerrar definitivamente com esse mito de que estudar limita a criatividade, pois é exatamente o contrário, quanto mais técnica existir em seu repertório, mais recursos você terá para dar vazão à criatividade.

Costumo dizer nas minhas aulas que um fotógrafo dominar a escolha de lentes, compreender o ângulo de visão e os efeitos de perspectiva, executar uma fotometria perfeita, ter compreensão da luz, da sombra e dos contrastes, ser rápido e atento o para nunca ter uma foto fora de foco, tudo isso são obrigações e não diferenciais.

É bom que se diga que uma coisa é ter técnica e cometer erros, todo ser humano erra inclusive os gênios que citei anteriormente, mas se em cada 100 fotos que você fizer, você tiver que corrigir luz, enquadramento, ou o foco não estiver preciso, ou houver tremidos em umas 10 delas, você está muito mal em sua técnica.

Uma boa margem de erro em minha opinião é de uma foto em cada cem, se você atingir esse nível, tendo que apagar uma em cada cem fotos feitas, está ótimo. Se ainda não consegue isso, estude e treine mais até conseguir. Você irá passar menos tempo no computador corrigindo coisas, entregará trabalhos melhores aos seus clientes e merecerá o dinheiro que eles pagam.

Falando nisso, e já vendendo meu peixe, na AGENDA tem novidades, nova turma de Fotometria e Flash, em formato intensivo, renovado e melhorado. Esse é o curso ideal para quem busca consistência de resultados, com ou sem flash, em qualquer situação de luz.

[]’s
Armando Vernaglia Jr
Site - www.vernaglia.com.br
Blog - blog.vernaglia.com.br
Flickr - www.flickr.com/armandovernaglia/
Videos - www.vimeo.com/vernaglia/

Ponte Hercílio Luz - Florianópolis

ps.: ilustro este texto com esta foto que fiz em Florianópolis e que demonstra a importância do domínio técnico sobre a luz, feita com filme positivo (cromo), com o uso de filtros graduados de densidade neutra e de correção de cor, sem nenhum photoshop.

5 comentários

  1. Danilo em 26 de Maio de 2009

    Armando,
    Concordo plenamente com o que vc disse.
    Abs
    Danilo

  2. Stefano Aguiar em 26 de Maio de 2009

    Sensaional, Armando.
    Estou falando da foto, primeiro, mas ao texto o comentário se aplica sem ressalvas. De nada adiantará a visão criativa, se a técnica e o treinamento não forem capazes de nos permitir exercitar o olhar, da forma como o vemos.
    Parabéns!

  3. Daniel Polly em 28 de Maio de 2009

    Sinceramente, acho que quem diz que não precisa aprender técnica, com essa desculpa de que o que importa é a criatividade (pura e simplesmente) é somente mais um preguiçoso, que por vezes para atingir o que a criatividade imaginou tem que fazer uma foto na base da sorte, no jogo do erro e acerto.

    Já quanto a margem de 1 foto ruim em 100 fotos feitas…discordo, parcialmente.
    Depende do tipo de foto que se faz (área) e do estilo de fotografar…
    Em eventos, com iluminações mutantes o tempo todo, com crianças correndo enquanto tenta-se fotografá-las espontaneamente, esse número pode ser quase impossível de chegar.
    Mas claro, se o fotógrafo só faz posadas, ou se faz poucas fotos num aniversário por exemplo (ou seja, se garante antes do click), fica mais fácil chegar a esse número.
    Há casos em que eu prefiro fazer uma foto do jeito que der, pois aquele momento, ou aquele sorriso espontâneo pode não se repetir, e as vezes não se repete mesmo…

    abraços

  4. Armando Vernaglia Junior em 28 de Maio de 2009

    Olá pessoal, valeu pelos comentários.

    Stefano, obrigado pelo elogio.

    Daniel, vou manter minha posição, 1 em 100 é uma boa margem, mesmo em eventos. Agora, não estou dizendo que as outras 99 são obras de arte.

    Outro dia um amigo dizia que tinha uma foto muito legal do casamento dele que estava fora de foco, ele gostava da imagem, mas lamentava a falta de foco, é um leigo em fotografia e percebeu isso claramente.

    Vamos ser sinceros, hoje, com os sistemas de foco modernos e boas lentes, errar um foco é imperdoável, sabe, não é fotografia de futebol ou formula 1, é casamento, não tem perdão ter algo fora de foco.

    Assim como fotometria, hoje as câmeras são tão boas, que o fotógrafo com pequenos ajustes tem resultados perfeitos então perder uma foto por que estourou ou ficou muito escura, no meu modo de ver, é imperdoável. Junto a isso tremidos, o fotógrafo tem que conhecer seu limite, quando treme e quando não.

    Se você estiver numa situação limite e optar por fazer a foto mesmo sabendo que vai tremer, não é um erro, é um risco assumido e calculado, é aquilo que na hora de apertar o botão você sabe que vai acontecer e já tenta minimizar ao máximo. Mas tremer achando que nada acontece e depois na edição tentar disfarçar não pode.

    []’s
    Armando

  5. Leila Vieira em 23 de Junho de 2009

    Olá Armando!
    Ainda bem que ainda tem gente que pensa como eu, pensei que estava ultrapassada, querendo ver bons ângulos, criativos e com o mínimo de técnica.

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