Arquivo de Agosto de 2008

Divagações futurologistas

Andei tendo longas conversas com meu sócio, teorizações que tendem ao infinito e que versam sobre o tema imagem, isso se deve ao fato de que minha tese de conclusão da pós tratou da influência da fotografia na formação e consolidação da imagem empresarial, e a tese dele trata da importância da imagem nas novas mídias digitais e interativas.

Juntando as pesquisas que fizemos sobre esses temas com uma longa viagem para visitar um cliente um pouco distante de nossa base em São Paulo, acabamos tendo uma boa conversa “futurologista” sobre tendências do mercado de imagem, e considerei que valia abrir esse papo aqui no blog para receber opiniões de todos que passam por aqui.

Existem fatos claros no mundo a respeito de nossas vidas, um deles é que temos cada vez menos tempo, e outro é que dispomos de menos espaço físico, basta pensar no trânsito, no tamanho dos apartamentos e no espaço das classes econômicas dos aviões. No entanto estamos cada vez mais conectados, usamos internet em todos os lugares, mesmo que numa diminuta tela de celular.

É uma lógica simples de perceber que ao sermos compactados em pequenos espaços, desejaremos uma compensação, algo que pelo menos nos dê uma sensação de espaço, daí a conectividade para trazer essa liberdade.

E se todos podem falar com todos nesse canal chamado internet, observamos que as mídias estão cada vez mais próximas. A fronteira entre um jornal, uma revista e um canal de televisão tendem a desaparecer na medida em que estão presentes na rede, acessíveis de qualquer canto do planeta, ou pelo menos quase. No final tudo é entretenimento interativo e disponível.

Com essa possibilidade de acesso e conexão podemos nos livrar de alguns dos problemas reais de pouco espaço, não precisamos pegar trânsito para uma reunião simples, podemos fazê-la virtualmente, nem pagar altas contas de telefone se temos sistemas de voz sobre IP. Não ocupamos espaço em estantes com livros ou DVDs, armazenamos tudo em discos rígidos, memórias flash e artefatos semelhantes.

Mas existem ainda muitas barreiras, uma delas está no tipo de equipamento que utilizamos para conseguir toda essa interatividade. Um computador tem amarras em seu projeto que ainda o ligam a velhas máquinas de escrever, o teclado por melhor que seja, ainda é um instrumento rudimentar, arcaico, o tempo que levo para escrever este texto é imensamente maior que o tempo que eu levaria para recitá-lo, no entanto ainda tenho que sentar na frente do teclado e digitar, pois computadores normais ainda não são muito bons em reconhecer voz e transformá-la em texto. Pior é pensar no tamanho do sofrimento que seria escrever isso tudo num diminuto teclado de um PDA.

Será bom quando pudermos interagir com nossos equipamentos de forma mais natural, assim como interagimos com pessoas, fazemos isso falando, ouvindo e vendo.

Outra barreira evidente é a língua, os códigos lingüísticos pertencem a grupos, eles não são universais, ou seja, se eu não falo a mesma língua de um grupo, então não pertenço a este grupo mesmo que eu possa me conectar a eles. E no mundo temos muitos idiomas, viajei recentemente para um país e pude ver a dificuldade de algumas pessoas que não falavam a língua local.

Imaginem a soma das barreiras, o tempo de escrita/leitura de textos somado às dificuldades das línguas. Como seria bom interagir sem essas barreiras, se os dispositivos que utilizamos fossem inteligentes o suficiente para superar esses entraves.

Desse pensamento todo sobre equipamentos, barreiras e formas de interação, chegamos na questão da imagem. Uma foto vale mais do que mil palavras é o velho ditado, que nunca esteve tão certo como hoje.

Se não temos tempo para ler um longo texto, uma imagem nos entrega dezenas, às vezes milhares de informações num piscar de olhos, então para que perderíamos tempo escrevendo uma mensagem em um desconfortável teclado de celular se pudermos enviar uma foto e um som que digam o que queremos? Por que escreveremos e-mail se pudermos falar e mostrar imagens? Com certeza o texto, que no final das contas é uma imagem de palavras, tende a perder algum espaço neste mundo.

O mais interessante, a imagem rompe grande parte das barreiras lingüísticas. A foto de um ser humano é vista assim por qualquer outro ser humano, se a pessoa retratada estiver trabalhando, em qualquer canto do planeta saberão que ele trabalha, se estiver sorrindo, chorando, correndo, e assim por diante.

Profissionais de imagem têm um espaço certo no futuro, as mídias precisarão cada vez mais de imagem, mas como faremos para que nossas imagens rompam as barreiras? Como criaremos de forma universal e ilimitada? Esses são alguns dos desafios que temos adiante, e vocês que passam por aqui, alguns bons e velhos conhecidos, outros anônimos, que pensam sobre isso tudo? Vamos abrir o papo.

Vejo vocês nos comentários dos próximos dias e com um novo texto daqui duas semanas.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

PS.: Aproveito para comunicar sobre um novo curso que darei na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, chama-se A Fotografia Na Comunicação Empresarial, vejam os detalhes neste link:

www.facasper.com.br/eventos/site/cursos_nota.php?id_secao=250

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Quando as marcas falham

Hoje em dia é comum ouvir um discurso nas empresas, faculdades e em conversas com profissionais de comunicação, dizendo que as marcas devem ter personalidade, algo como se fossem uma pessoa, um ser humano com o qual os consumidores poderiam se identificar e se relacionar.

Desta forma uma marca pode ter uma personalidade esportiva, sofisticada, alegre, séria, descontraída, radical, entre tantas características de personalidade que uma pessoa pode ter.

Quanto mais parecidas com pessoas, maiores as chances de haver uma identificação entre público e a marca, criando assim uma vontade do consumidor se relacionar e no final das contas consumir os produtos de uma empresa que acaba se ocultando sob a marca.

A parte ruim é que seres humanos cometem erros, e desta forma as marcas, como reflexos dessa humanidade podem cometer erros, são falhas das mais diversas, que vão de mentiras ao não cumprimento de promessas.

Em que isso afeta a nós, profissionais de imagem, como fotógrafos, cinegrafistas, cineastas, designers e tantos outros? São dois aspectos, o primeiro é o da responsabilidade, o segundo vem do fato que também somos consumidores.

Sobre a responsabilidade, devemos lembrar de que o ser humano é muito visual, toma decisões e forma opiniões em grande parte influenciado pelo que adquire com o sentido da visão. Profissionais de imagem são os maiores responsáveis pela criação de identidades e personalidades de marcas.

Não há no mundo uma marca forte que tenha sido construída sem o uso de imagens. São fotografias e vídeos que visam mostrar a identidade imaginada, são logotipos e símbolos que tentam resumir conceitos de forma gráfica, layouts de páginas e sites com estilos adequados ao que se espera da personalidade que foi desenvolvida.

Por isso nós profissionais de imagem somos formadores de opinião, pois aquilo que produzimos definirá em grande parte a opinião de pessoas sobre coisas, fatos, produtos etc., e dessa forma a produção adequada, verdadeira e coerente é importante.

As empresas que contratam serviços de fotógrafos, designers e outros profissionais que atuam nesse mercado devem ter consciência de que o sucesso de suas campanhas, e de suas marcas, depende fortemente da capacidade, do conhecimento e do profissionalismo daqueles que são contratados, e da intenção mútua de não contar mentiras ou fingir ser algo que não é para o consumidor.

Torna-se óbvio a importância da contratação de gente competente para lidar com a imagem de uma marca pois um passo errado em todo esse processo irá gerar não uma identidade, não uma personalidade, mas um amontoado de informações visuais desconexas e sem sentido, um “Frankenstein”.

Por outro lado, profissionais de imagem também consomem, nós comemos, viajamos, compramos, moramos, estudamos etc., e assim como influenciamos, somos influenciados pelas imagens projetadas pelas marcas que consumimos.

Quando estamos desse lado da história, percebemos mais claramente as falhas cometidas pelas marcas, quando somos lesados ou enganados de alguma forma, notamos claramente que algo não vai bem, e que o relacionamento entre consumidor e marca corre sério risco de ser destruído.

Recentemente fiz uma viagem internacional com minha esposa, para nossa lua de mel, optei por uma empresa aérea em detrimento de outra. Eu nunca havia voado por nenhuma das duas, então minha decisão baseou-se nos conceitos que minha esposa e eu tínhamos a respeito das empresas. Esses conceitos foram formados por materiais impressos, publicidades, notícias que víamos nos telejornais, coisas que líamos na internet, etc., um conteúdo sempre recheado de fotos, vídeos e outras imagens.

O fato é que a empresa escolhida, que parecia ideal, também atrasou o vôo, me prendeu no exterior por três dias além do planejado devido ao overbooking e de forma geral prestou um serviço inferior ao imaginado. Graças a isso descemos do avião decididos: por essa empresa nunca mais voaremos. É o fim de um relacionamento e não tem publicidade que salve isso.

A empresa que não escolhemos havia estado no noticiário exatamente por esses problemas então tínhamos uma imagem negativa da mesma, mas pudemos perceber que a outra empresa, que infelizmente escolhemos, era tão ruim ou pior.

Daí a conclusão que eu pretendo deixar neste texto: Marcas podem ter personalidade e se identificarem com pessoas, mas para que haja relacionamento de longo prazo, devem ir além de características como estilo visual e uma aparente personalidade, devem ir fundo nas características mais importantes que temos, como respeito, cumprimento de promessas e ética.

É bom estar de volta após mais de um mês de ausência aqui no Blog, nos vemos em 15 dias!
[]’s
Armando Vernaglia Jr
blog.vernaglia.com.br
www.vernaglia.com.br

PS.: Aproveito para comunicar sobre um novo curso que darei na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, chama-se A Fotografia Na Comunicação Empresarial, vejam os detalhes neste link:

www.facasper.com.br/eventos/site/cursos_nota.php?id_secao=250

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