A Fotografia e a nossa História
Existe um fato que passa despercebido por muitas pessoas: o de que boa parte de nossa história é contada por fotografias. Isso mesmo, lembra daqueles velhos álbuns que estão em alguma gaveta? Estou falando exatamente deles.
Mesmo que não tenhamos nenhuma lembrança dos nosso primeiros passos, uma foto já desbotada com um simpático bebê nos mostra como pode ter sido. Afinal atrás da câmera haviam pais orgulhosos registrando o que fazíamos.
Também podemos não ter tido contato com algum parente distante ou alguém que faleceu quando ainda éramos pequenos, e mesmo assim sabemos como era seu rosto, suas roupas, onde morava, além de incontáveis informações que chegam a nós através de fotografias.
Quem não passou horas vendo álbuns antigos de família, dando risadas das roupas que nossos pais usavam, das costeletas e cabelos dos anos 60 e 70. Quem não ficou intrigado vendo como eram pacatas as ruas de antigamente, como eram diferentes os carros e as pessoas.
A fotografia é uma memória visual que nos ajuda a lembrar das coisas que o tempo e o progresso teimam em tentar apagar. Também nos auxilia a recordar de fatos e pessoas que deixaram saudades em nossos corações, ou que simplesmente não tivemos a oportunidade de presenciar.
Podemos dar certeza sobre a existência de alguém ou algo pelo registro fotográfico. Ao contrário de uma ilustração ou de uma pintura, que podem nascer apenas da criatividade do ser humano, a fotografia só nasce quando há algo em frente à câmera para ser registrado, algo precisa de fato existir para poder ser fotografado.
É por isso que hoje fico um pouco preocupado quando vejo pessoas portando suas pequenas câmeras digitais, ou mesmo registrando sua história em um aparelho celular.
Nossos pais não tiveram tanta tecnologia, eles tinham filme preto e branco, câmeras grandes e pesadas, e métodos arcaicos para imprimir suas recordações em papel, mas mesmo com todo esse processo antiquado, as imagens duraram até hoje e nos permitiram conhecer tantas histórias.
Já a tecnologia de hoje, tão fácil e prática, carece dessa capacidade eternizadora que havia antes. O registro feito hoje com um celular é passado para um computador, visto algumas vezes numa tela, compartilhado num álbum digital, e depois acaba esquecido, pode ser apagado e destruído por uma pane qualquer ou mesmo por algum acidente de percurso.
A tecnologia está tornando fugaz a memória. Deste pensamento tiro a seguinte pergunta: Que história deixaremos para nossos descendentes? Que memória eles terão e como poderão rir de nossas roupas e cabelos?
Talvez seja a hora de começar a tratar a fotografia com um pouco mais de respeito, como fizeram nossos pais. Vamos nos ocupar de fazer backups de todas essas fotos digitais, e de atualizar esses backups toda vez que um novo formato de arquivo ou nova mídia de armazenamento surgir, pense também em imprimir as fotos e colocar em belos álbuns.
Quando por azar alguma estiver desbotada, vamos recuperá-la dos arquivos e imprimir uma nova cópia.
Gravar um DVD com uma apresentação animada e guardar junto com o álbum é outra boa idéia, afinal são suas memórias e elas merecem uma preservação multimídia.
Não custa muito nem toma muito tempo fazer isso tudo, e pode garantir muitos e muitos anos de diversão e conhecimento para as próximas gerações, memórias e recordações que deixaremos para quando não mais estivermos por aqui.
A fotografia é o meio ideal para que cada um de nós desfrute de uma certa eternidade na memória dos nossos descendentes. Pense nisso e boas recordações.
Nos vemos em 15 dias.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
SP Imagens
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