Arquivo de Fevereiro de 2008

A Fotografia e a nossa História

Existe um fato que passa despercebido por muitas pessoas: o de que boa parte de nossa história é contada por fotografias. Isso mesmo, lembra daqueles velhos álbuns que estão em alguma gaveta? Estou falando exatamente deles.

Mesmo que não tenhamos nenhuma lembrança dos nosso primeiros passos, uma foto já desbotada com um simpático bebê nos mostra como pode ter sido. Afinal atrás da câmera haviam pais orgulhosos registrando o que fazíamos.

Também podemos não ter tido contato com algum parente distante ou alguém que faleceu quando ainda éramos pequenos, e mesmo assim sabemos como era seu rosto, suas roupas, onde morava, além de incontáveis informações que chegam a nós através de fotografias.

Quem não passou horas vendo álbuns antigos de família, dando risadas das roupas que nossos pais usavam, das costeletas e cabelos dos anos 60 e 70. Quem não ficou intrigado vendo como eram pacatas as ruas de antigamente, como eram diferentes os carros e as pessoas.

A fotografia é uma memória visual que nos ajuda a lembrar das coisas que o tempo e o progresso teimam em tentar apagar. Também nos auxilia a recordar de fatos e pessoas que deixaram saudades em nossos corações, ou que simplesmente não tivemos a oportunidade de presenciar.

Podemos dar certeza sobre a existência de alguém ou algo pelo registro fotográfico. Ao contrário de uma ilustração ou de uma pintura, que podem nascer apenas da criatividade do ser humano, a fotografia só nasce quando há algo em frente à câmera para ser registrado, algo precisa de fato existir para poder ser fotografado.

É por isso que hoje fico um pouco preocupado quando vejo pessoas portando suas pequenas câmeras digitais, ou mesmo registrando sua história em um aparelho celular.

Nossos pais não tiveram tanta tecnologia, eles tinham filme preto e branco, câmeras grandes e pesadas, e métodos arcaicos para imprimir suas recordações em papel, mas mesmo com todo esse processo antiquado, as imagens duraram até hoje e nos permitiram conhecer tantas histórias.

Já a tecnologia de hoje, tão fácil e prática, carece dessa capacidade eternizadora que havia antes. O registro feito hoje com um celular é passado para um computador, visto algumas vezes numa tela, compartilhado num álbum digital, e depois acaba esquecido, pode ser apagado e destruído por uma pane qualquer ou mesmo por algum acidente de percurso.

A tecnologia está tornando fugaz a memória. Deste pensamento tiro a seguinte pergunta: Que história deixaremos para nossos descendentes? Que memória eles terão e como poderão rir de nossas roupas e cabelos?

Talvez seja a hora de começar a tratar a fotografia com um pouco mais de respeito, como fizeram nossos pais. Vamos nos ocupar de fazer backups de todas essas fotos digitais, e de atualizar esses backups toda vez que um novo formato de arquivo ou nova mídia de armazenamento surgir, pense também em imprimir as fotos e colocar em belos álbuns.

Quando por azar alguma estiver desbotada, vamos recuperá-la dos arquivos e imprimir uma nova cópia.
Gravar um DVD com uma apresentação animada e guardar junto com o álbum é outra boa idéia, afinal são suas memórias e elas merecem uma preservação multimídia.

Não custa muito nem toma muito tempo fazer isso tudo, e pode garantir muitos e muitos anos de diversão e conhecimento para as próximas gerações, memórias e recordações que deixaremos para quando não mais estivermos por aqui.

A fotografia é o meio ideal para que cada um de nós desfrute de uma certa eternidade na memória dos nossos descendentes. Pense nisso e boas recordações.

Nos vemos em 15 dias.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
SP Imagens

Cores Fluidas - Inspirado por Jackson Pollock

A metáfora do pastel

Não sei se você que lê meus artigos, aqui no blog ou nas revistas em que sou colunista, gosta de pastel, especialmente nos sabores queijo ou carne (substituível por carne de soja para vegetarianos), mas sei que a simples e tradicional iguaria pode servir bem para uma analogia com o processo criativo, seja na fotografia ou outras formas de expressão visual, e mesmo para prestadores de serviço de qualquer segmento.

Vou explicar um pouco melhor para que você compreenda a relação metafórica entre um pastel e uma foto, ou um vídeo, uma peça publicitária etc.

Digamos que você não saiba cozinhar nada. Neste caso, mesmo sendo um total iniciante na culinária, caso receba algumas instruções simples já será capaz de fazer um pastel de queijo. Não precisará de muita coisa, apenas comprar a massa, o queijo, ter uma panela com alguma quantidade de óleo, um pouco de bom senso e no final terá alguns quitutes crocantes e queijo derretido esticando ao morder.

Um pastel de queijo é como uma idéia simples, surge rápido, é fácil, gostoso, mas seu efeito dura pouco. A fome logo volta pois ele é cheio de vento, falta consistência além de ter bem pouco valor nutritivo.

Já para fazer um pastel de carne o processo muda. O recheio exigirá temperos e alguma habilidade no preparo para que fique bom e talvez alguma leitura, treino e pesquisa se façam necessários. O preparo levará mais tempo e terá mais chances de ficar uma porcaria caso o cozinheiro não tenha todo o conhecimento necessário.

No entanto, se o mestre cuca de nosso exemplo se dedicar, fizer tudo com carinho e cuidado, no final teremos outro quitute crocante, mas desta vez com recheio mais volumoso, maior valor nutritivo e que irá matar a fome por muito mais tempo.

E o que isso tudo tem a ver com o processo criativo? Simples, ter idéias para fotos, layouts, vídeos, novos produtos ou serviços é como fazer um pastel de queijo, algo ao alcance de todos. Mas se queremos ser mais completos, verdadeiros profissionais que resolvem os problemas dos clientes da mesma forma que o pastel de carne faz com a fome, então temos que estudar mais, dedicar mais tempo, treinar e criar nossos temperos para que nossa receita não seja algo que qualquer um faz.

Não é que uma foto despretenciosa, feita de forma rápida e sem preocupações não possa ser linda, assim como o nosso pastel crocante recheado com queijo pode ser uma delícia. Mas para dar soluções completas aos clientes, temos sempre que nos lembrar do pastel de carne, ou até mesmo pensar mais alto, ir além do pastel e se espelhar nas grandes iguarias dos maiores mestres.

O estudo, o treino e o aperfeiçoamento constante são obrigações do profissional independente, não importa a área de atuação. O mercado muda constantemente, novas necessidades surgem assim como novas modas e temos que estar preparados.

Hoje em dia todos podem comprar uma câmera, um computador e oferecer um serviço, então onde podemos oferecer diferenciais? Com certeza no nosso conteúdo, o nosso recheio.

Nos vemos em quinze dias,

Armando Vernaglia Junior
SP Imagens

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