Redes Sociais, Marketing etc.

Vamos falar sobre ferramentas de marketing e vendas, partirei do princípio que não existe algo inútil, o que existe é o bom e o mau uso de cada uma delas. Também pularei a parte de cartão de visitas, portfólio impresso e site pois creio que todo mundo saiba da necessidade desses itens e que o design das peças deve ter uma identidade comum, respeitando as características de cada mídia. Vamos logo às ferramentas online que são mais interessantes.

Redes sociais:
Muitos não compreendem que uma rede social, além de ser o que seu nome indica, é uma ferramenta de vendas. É sabido entre profissionais de marketing que vendas acontecem mais pelo relacionamento do que pela proposta de valor em si. Isso acontece pois produtos e serviços são cada vez mais iguais, fazendo com que a decisão de compra se dê por outros critérios, como confiança, empatia e amizade. Temos consciência disso pois é comum comprarmos algo sem considerar se é mais barato ou mais completo, mas por ser da marca ou loja que julgamos confiável. As redes sociais permitem que você se relacione com seus clientes e a partir daí possa existir espaço para a venda.

E qual a melhor rede social para fotógrafos e outros profissionais de imagem, Orkut, Facebook, MySpace, Flickr? Na verdade não há uma resposta para isso pois depende do público que desejamos. Se o público de interesse está no Orkut, então você deverá estar no Orkut, se estiver no MySpace você deverá aparecer por lá e assim por diante, a melhor rede social é a que lhe permitir mais conexões com seu público.

Flickr:
Vou separar o Flickr de outras redes sociais pois numa primeira análise não há muitas chances de se fazer bons negócios em fotografia num ambiente onde quase só há fotógrafos, mas isso é um erro de observação sério. Primeiro porque a maioria dos usuários é de amadores que têm outras profissões, são arquitetos, engenheiros, gerentes, contabilistas, comerciantes, designers etc, segundo porque provavelmente o Flickr é o maior banco de imagens que existe, e muitas empresas buscam nele imagens para os mais diversos usos. O Flickr é um lugar obrigatório para fotógrafos, se você não tem está fechando uma porta para o mundo inteiro.

Search marketing:
Eu já defendi em minhas aulas o search marketing, que nada mais é do que pagar para entrar nas listas de links patrocinados de buscadores como Google e Yahoo, hoje eu percebo que há prós e contras nesse sistema.

A vantagem é ser listado quando alguém procura seu serviço, isso acontecerá com boa eficiência se você utilizar corretamente as ferramentas de palavras chave. Procure cadastrar sentenças específicas e não palavras genéricas. Não adianta cadastrar “fotógrafo” pois você jogará dinheiro fora aparecendo em todas as vezes que alguém procurar por um profissional de uma área que não seja a sua, lembre-se que você pagará cada vez que seu anúncio for clicado, por isso não adianta ser clicado dez mil vezes e não fechar nenhum negócio.

Da vantagem tiramos a desvantagem do sistema, pois junto com você serão listados dezenas ou centenas de outros e ninguém contrata o primeiro que surgir. Pessoas que usam ferramentas de busca para pesquisar um serviço irão abrir diversos sites e entrar em contato com todos os que parecerem interessantes jogando o mesmo pedido de compra para todos.

Numa situação assim quase não há chance do estabelecimento de relacionamento com o cliente, ele espera receber um orçamento e o menor vencerá. Há exceções, uma vez ou outra é possível ligar e começar um diálogo com o cliente para saber mais das necessidades dele e assim ajustar melhor a proposta, ou até conseguir uma reunião pessoal antes de enviar o orçamento, mas de forma geral não há essa abertura, o que limita tremendamente as opções de negociação.

Outro defeito é que os anúncios têm textos curtos que não permitem detalhar ou diferenciar sua oferta das demais. Ter um site bem feito não basta pois muitos hoje têm sites excelentes, assim como há muita gente experiente e com trabalhos de qualidade. O serviço que você faz em geral pode ser feito por mais algumas dezenas de pessoas com iguais qualificações e todos aparecerão juntos. Num cenário desses quem ganha o trabalho? Em geral os que respondem mais rápido e que têm melhor preço.

E-mail marketing:
Não funciona. Aqui me refiro à compra de listagens de e-mails que são disparados para milhares, às vezes milhões de endereços eletrônicos, a falta de personalização da mensagem e a impossibilidade de fazer uma complementação da ação (como uma reunião) torna o e-mail marketing, vulgo spam, a mais inútil das ferramentas. Você deve ter um mailing de seus clientes e mantê-los atualizados de suas novidades, mas comprar listas e disparar toneladas de mensagens é perda de tempo e dinheiro.

Chegamos ao final, esse assunto é longo, impossível de ser esgotado, cada um deve avaliar seu negócio, compreender o público de interesse e a partir daí traçar uma estratégia que envolva as melhores ferramentas. Quero abrir a discussão a partir daqui, fiquem à vontade para comentar, colocando suas experiências, observações e dúvidas, assim podemos ampliar as possibilidades deste artigo.

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Pantheon (Roma076)

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Números, o que fazer com eles?

Não sei bem em qual ponto da história o ser humano passou a ser fascinado pelos números, se foram os gregos ou os egípcios, ou alguém antes deles, o fato é que hoje todo e qualquer profissional se cerca de um amontoado de números e em geral não sabe bem o que fazer com tanta informação.

Quer exemplos?

No momento em que escrevo este parágrafo, o Blog do Vernaglia tem 134.753 visitas acumuladas desde sua criação, há quase três anos. Minhas fotos no Flickr foram vistas 46.732 vezes sendo que só hoje uma foto da cidade de Santos foi visitada por 12 pessoas. Comecei a “twitar” há poucos dias e estou lá seguindo 26 pessoas e sendo seguido por 23. Meu site portfólio tem uma média de 40 visitas diárias e assim vai indo para outras estatísticas do Flickr, do Vimeo, Google e assim por diante.

É importante ter clareza de que não adianta nada saber esses números se não houver uma utilidade prática para eles e mais ainda, não adianta nada ter números gigantescos se eles não se convertem em algo aproveitável em sua vida ou nos negócios.

Isso é fundamental pois é inútil ter um milhão de seguidores no Twitter ou quem sabe dezenas de milhares de vistas diárias em seu portfólio se nenhuma delas se transforma numa nova oportunidade de negócio, um pedido de orçamento, uma consultoria enfim, dinheiro no bolso.

Aprendi isso ainda no tempo da faculdade de publicidade, quando víamos maravilhados os índices de audiência das redes televisivas mais importantes, nos quais cada ponto de audiência valia sei lá quantos lares e pessoas acompanhando um determinado programa.

E embora nenhum funcionário de televisão admita isso, a audiência não serve para absolutamente nada se não for qualificada. E por “audiência qualificada” entenda que são pessoas que compram os itens anunciados nos intervalos comerciais ou merchandisings da vida. “Qualificado” não é alguém formado com bom currículo, nem alguém de classe A, B ou Y, mas alguém que queira comprar o que você oferece e tem dinheiro naquele momento para isso.

O mesmo raciocínio vale para profissionais de imagem. Se um milhão de pessoas viu seu portfólio e você não vendeu nada, apesar do aparente sucesso de um milhão de visitas, você é um tremendo fracasso comercial. Pense nisso mas não se desespere ainda.

O que você precisa fazer é buscar audiência qualificada, ser visto por quem importa e não pelo maior número de pessoas. Você até pode tentar atingir muita gente achando que no meio da massa haverá alguém comprando, mas gastará tempo e investirá muito para ter pouco retorno

Não há uma regra fixa sobre como encontrar o público certo, cada segmento de mercado tem sua lógica própria e são infinitas as variações, mas uma lógica geral pode ser resumida com a seguinte frase: esteja onde seu público está e seja como ele é.

Fazendo isso você será conhecido por quem realmente interessa e se for bom no que faz, passará a ter audiência qualificada.

Ok, foram dois artigos em um mesmo dia! A terceira e última parte desta série chega provavelmente na segunda feira.

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Santos (san006)

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O mercado atual.

Faz tempo que não posto nenhum artigo, felizmente isto se deve a muita ocupação por aqui então peço desculpas aos amigos e leitores pela ausência.

Ainda no ano passado prometi escrever sobre o mercado atual e também comentar ferramentas de marketing úteis e inúteis para profissionais de imagem, este artigo é o primeiro dessa nova série.

O mercado mudou, já sabemos disso, mas há fatores que devemos considerar quando confrontamos o hoje com o ontem, a saber:

- hoje há mais concorrência em todas as áreas, com mais oferta em serviços de imagem;
- as crises financeiras deixam empresas temerosas em fazer grandes investimentos, daí acontece a retração na demanda por serviços considerados supérfluos pela maioria dos donos de empresas;
- entenda que foto, vídeo, logotipo novo, ilustração, tudo isso é visto como supérfluo pelo dono da empresa, salvo exceções;
- quando há mais oferta e menos demanda, temos obrigatoriamente uma forte pressão sobre os preços praticados pelos prestadores de serviço;
- o conhecimento está mais disponível e os equipamentos cada vez melhores, com isso ter diferenciais técnicos sobre a concorrência é cada vez mais difícil. Se hoje você fotografa, filma ou desenha melhor que seu vizinho, amanhã pode ser o contrário se ele passar uma noite na internet estudando e treinando, sendo assim estude mais;
- os equipamentos estão mais acessíveis por isso gastar fortunas nisso em geral é bobagem, aprenda a extrair o máximo de materiais que custem menos.

Conclusão: o mercado está encolhendo pois há menos gente pagando para mais gente prestando serviço. Isso vem acontecendo há anos, não é novidade.

Há quinze ou vinte anos, era possível ter grande rendimento vendendo fotos para bancos de imagem, bastava fotografar bem e ter uma produção constante para receber centenas ou milhares de dólares mensais. Hoje para fazer dinheiro com banco de imagens você precisa produzir dez vezes mais e ganhará dez vezes menos. Não significa que não seja possível fazer dinheiro neste segmento, apenas é mais difícil.

Outros mercados sofrem saturação semelhante e consequentemente dificuldades iguais. Um fotógrafo de casamento de alto nível poderia fazer poucos casamentos por mês e viver muito bem, hoje precisa fazer mais, se possível ter uma equipe e conseguir cobrir dezenas de eventos por mês, ganhando no volume de trabalho.

Isso tudo é bom e ruim ao mesmo tempo. Depende de sua criatividade descobrir pequenos segmentos ainda rentáveis, explorá-los e sair deles quando estiverem saturados, também depende de você ter a melhor técnica na execução de seu trabalho que seu cérebro permitir pois é isso que irá lhe garantir executar trabalhos de qualidade rapidamente.

Mas principalmente, depende de você a disposição para entender que o mercado hoje exige de um profissional de imagem trabalhar bem mais do que trabalhava, esqueça os horários livres no meio da semana, se sobrar um minuto, gaste ele estudando e divulgando seu trabalho.

Nos vemos em breve com um artigo sobre números e estatísticas… é, você precisará disso.

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Museu do Ipiranga (Paulista Museum) (015)

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Feliz Natal, Merry Christmas, Feliz Navidad, Joyeux Noël, Buon Natale, Frohe Weihnachten… =^)

Esta é minha forma de desejar a todos um Feliz Natal, com muita saúde, alegria e tudo mais que todos merecem! =^)

Veja o vídeo em HD: www.vimeo.com/8099902

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Nonja, a macaca fotógrafa…

Há algum tempo venho dizendo que certas fotografias que vejo no Flickr e em alguns portfolios de pseudo profissionais poderiam ser feitas por um macaco treinado… aconteceu. Embora Nonja ainda tenha que treinar um pouquinho, mas logo estará cobrindo eventos sociais por aí ou fotografando alguns catálogos.

Quem sabe também veremos as belas e inspiradas obras de Nonja em uma galeria de arte atingindo preços de venda invejáveis e fazendo par às “pinturas” feitas por um elefante que andou pela mídia uns tempos atrás.

Vejam AQUI o link de Nonja no Facebook

Quer saber mais? Veja na Folha clicando AQUI.

Para cada foto feita, Nonja ganha uma uva-passa… quanto tempo levará para alguns clientes ofertarem algo semelhante para fotógrafos?

=^)

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Natal Chegando… tempo de avaliação, planejamento e cartões de natal!

O ano de 2009 acabou, é questão de alguns dias apenas para oficializar o fato enquanto observamos fogos de artifício.

Nesta época devemos aproveitar o tempo livre para duas atividades fundamentais: avaliação e planejamento. Avaliar o que foi feito ao longo do ano, descobrir os motivos das falhas e dos sucessos e com base nessas informações, planejar o próximo ano.

Aqui no estúdio as duas atividades estão em andamento, paralelamente aos trabalhos que ainda ocorrem antes do Natal. Em breve anunciarei as mudanças que ocorrerão por aqui e também escreverei algo sobre as minhas avaliações, quais ferramentas de marketing foram utilizadas ao longo do ano e quais resultados obtive por exemplo.

Nesse intervalo, enquanto está humanamente impossível conseguir tempo para escrever artigos mais longos, gostaria de dar um presente aos meus amigos, clientes, leitores, enfim, a todos que passam por aqui no Blog do Vernaglia.

Nos anos de 2004, 2005 e 2007 fiz cartões de Natal que enviei tanto pelo correio como por e-mail para pessoas próximas, sempre houve pedidos para que outras pessoas pudessem utilizar os cartões e eu teimosamente não deixava, em geral por medo de perder o controle sobre a propriedade e autoria das imagens.

No Natal deste ano resolvi ser um pouco menos teimoso e entender que em tempos de internet é melhor não esquentar tanto a cabeça com certas coisas. Assim sendo, estou liberando o uso dos 3 cartões que seguem abaixo. Se você gosta dessas fotos e quer enviar aos seus amigos, parentes e clientes, fique a vontade, meu único pedido é que mantenha o pequeno crédito que consta na parte de baixo de cada cartão.

Abaixo de cada foto há o link para minha página no Flickr, lá você pode ter acesso aos arquivos em alta resolução para que possa imprimir. A licença de uso é a Creative Commons, para uso não comercial. Se alguém tiver intenção de comercializar as imagens ou utilizá-las comercialmente, entre em contato para negociarmos. =^)

Vejam os cartões:

Christmas Flickr 03p - Christmas Flickr 03p
Link para download AQUI

Christmas Flickr 02p - Christmas Flickr 02p
Link para download AQUI

Christmas Flickr 01p - Christmas Flickr 01p
Link para download AQUI

Espero que gostem. O cartão deste ano está no forno, em uma semana ou duas ele aparecerá por aqui =^)

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A Fotografia Morreu?

Se sim, oremos pela alma da falecida, lembremos dela em seus áureos tempos de glamour, fama, dinheiro e principalmente dignidade. Se não, é bom chamar os médicos pois a situação da doente é grave.

Não estou falando da fotografia como forma de expressão visual, artística, nem da fotografia como meio de comunicação ou como documento histórico. Mas a profissão fotógrafo, como meio de vida e obtenção de sustento digno para uma pessoa ou família, essa é a moribunda.

Levanto este assunto baseado em alguns casos recentes:

01 - Visitei uma das únicas e tradicionais galerias de arte fotográfica aqui de São Paulo, passei uma hora apreciando trabalhos belos e criativos de nomes consagrados de nossa fotografia. Ao longo do tempo em que estive lá o telefone não tocou e fui a única pessoa por ali. As paredes desgastadas, as lâmpadas queimadas e a porta trancada esperando que toquem a campainha indicam que o movimento é dos mais baixos.

02 - Conversei com o ex-assistente de um dos maiores nomes de nossa fotografia publicitária brasileira. Ele havia sido demitido pois o famoso profissional estava há seis meses sem nenhum trabalho e teve que dispensar os préstimos do jovem iniciante na profissão.

03 - Numa lista de discussão de fotografia um ótimo e conhecido fotógrafo do Rio de Janeiro reclamava de uma escritora que desejava contratá-lo para uma foto… de graça. A dita cuja ainda o considerou grosso quando ele argumentou que não poderia atendê-la naqueles termos.

04 - Um amigo fotógrafo abandonou a área de fotografia de moda após dez anos clicando catálogos, books e campanhas nesse segmento. Resolveu fotografar casamentos. Ele está chateado com o fato de que maquiadores e bookers estão tomando espaço dos fotógrafos no mercado de books e composites para agências de modelo. Esses profissionais têm um trânsito fácil entre as pessoas do “mundinho fashion”, não sabem fotografar nada, mas isso parece não importar muito.

05 - Por fim, para os que gostam de fotografar carros, já ouvi 3 bons nomes da fotografia publicitária comentando que a fotografia nessa área está com os dias contados, as grandes campanhas de carros são feitas em 3D.

Isso sem falar das empresas que prestam serviço para o governo e os grandes bancos que querem foto de graça como já mencionei aqui.

É, parece que a profissão fotografia morreu mesmo… o que podemos escrever na lápide da pobre defunta?

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Amanhecer em Mongaguá - Sol, nuvens e mar dando espetáculo para quem acorda cedo =^)

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Diário de Bordo 2

Poucas vezes publiquei aqui no blog os meus “diários de bordo”, acontecimentos nefastos, curiosos ou apenas engraçados que cercam um profissional de imagem. Sendo assim, segue um recente:

No mês de maio deste ano (2009) recebi um pedido de orçamento, a empresa ainda não era minha cliente e não verdade continua não sendo. O trabalho seria fotografar alguns escritórios da empresa em prédios comerciais de São Paulo, um trabalho interessante, não muito complexo, mas agradável de fazer.

Após uma troca de telefonemas para tirar dúvidas elaborei minha proposta e enviei por e-mail. Nada de respostas, liguei para saber se tinham recebido e a resposta foi “sim, vamos avaliar”.

O tempo passou, passou mais um pouco, mandei mais um ou outro e-mail e não obtive resposta. Considerei que o trabalho estava perdido, provavelmente alguém havia feito preço melhor que o meu.

Em outubro deste ano me telefonam para retomar o trabalho, o orçamento estava aprovado e queriam uma reunião para acertar detalhes. Ok, assim foi feito e lá fui conhecer a empresa e ajustar o que fosse necessário.

Saí de lá com a promessa: “o financeiro vai te ligar para os detalhes da nota fiscal e do pagamento”.

Foram 3 longas semanas até o citado telefonema e quando veio havia uma queixa sobre a forma de pagamento. Sempre peço uma parte adiantada e tinham aprovado o orçamento com isso junto mas agora não queriam mais.

Como é melhor ser maleável e garantir o trabalho sugeri prazo normal de faturamento da empresa. Não serviu, quiseram parcelas para 30 e 60 dias. Ok, ok, ok, vamos fechar logo isso então? Vou mandar a nota fiscal.

Mando a nota, e o financeiro liga reclamando de eu ter emitido a nota sendo que o trabalho não tinha data prevista. Como não tinha data? O presidente da empresa assina aprovando o orçamento, o marketing liga e marca reunião, o financeiro liga e manda o cadastro da empresa para eu emitir a nota, aí eu mando a nota e não pode?

O financeiro falou que ia desconsiderar a nota e quando eles marcassem a foto ele começava a contar os 30 e 60 dias. Como não sou bobo nem nada, cancelei a nota percebendo que eu pagaria imposto e não receberia o trabalho nunca.

Acho que eu estava certo, já tem umas 3 semanas e ainda não marcaram as fotos… cada um que aparece. Tenho que lembrar dos conselhos de meu advogado e mandar o contrato junto com o orçamento.

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Refresh - Soda, gelo, laranja, técnica e paciência

Vergonha 2.0…

Quando pensei que o máximo de abuso que eu veria em termos de licenças de uso de imagem seria o caso do concurso do banco HSBC, vejam o que recebo de um representante legítimo de nosso governo (tirei nomes, pois se bobear ainda me processam):


Boa tarde, Armando
Meu nome é XXXXXXXXXX e sou pesquisadora de fotografia da TV1.
A TV1 está editando o site PORTAL BRASIL, da Secretaria da Comunicação da Presidência da República, um site exclusivamente institucional.
No site gostaríamos de usar a foto de sua autoria (anexa). A imagem será usada no fundo de página que irá apresentar uma matéria sobre EMPREEDENDORISMO.
Aguardo seu retorno.

Atenciosamente

Respondi com meu orçamento, baseado em minha tabela de preços de licenciamento de imagens, recebi como retorno isso:


Ola, Armando
Segue o contrato de licença de uso de imagem, que a TV1 precisa ter para negociar com a SECOM.
Aguardo seu retorno.

AUTORIZAÇÃO DE CESSÃO DE IMAGEM

Por esta e melhor forma, a empresa (razão social)____________________,
Situada (endereço completo da empresa com bairro,Cidade, Estado, CEP) ____________________,
inscrição CNPJ/MF: ____________________, fone: ____________________, e-mail: ____________________,
aqui representada por (nome completo do representante da empresa) ____________________,
RG ____________________, CPF ____________________, residente (endereço completo com bairro, cidade, estado e CEP) ____________________ fone: ____________________, email:____________________,
autoriza a XXXXXXXXXX com sede à Rua XXXXXXXXXX, inscrita no CNPJ sob o nº XXXXXXXXXX, ou a terceiros nomeados por esta, A utilizar as imagens no material intitulado “____________________”, produzido para seu cliente SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM, bem como para composição de seu banco de imagens.
A SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM., poderá utilizar o material como lhe aprouver, com finalidade comercial ou não, modificando, reproduzindo, editando e/ou alterando, sem limite de quantidade de uso e/ou veiculação, quer para o material acima identificado ou para outros que venha a produzir, fixando em qualquer suporte existente, seja eletrônico, digital, impresso, editorial e/ou em composições multimídia, CD-Rom, adaptando para qualquer idioma, bem como veiculando por todos os meios de sinais e mídias, mediante emprego de qualquer tecnologia (analógica, digital, com ou sem fio e outras), tais como, mas não limitados a radiodifusão, Internet, cabo ou satélite, emissoras de televisão aberta e/ou fechada, através de qualquer forma de transmissão de sinais/dados, exposição, gravação, inclusão em base de dados, em terminais móveis, através de qualquer processo de comunicação público ou privado, incluindo exibição em videowall e vôos nacionais e internacionais, TV metrô, bus TV, TVs em aeroportos, TVs em shoppings, painéis eletrônicos e backlight, e quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas próprios ou de terceiros, dentro e fora do território nacional, podendo, inclusive, vender e/ou ceder à terceiros, sendo tudo sem qualquer remuneração, pelo prazo de proteção legal previsto na Lei 9.610/1998.

A presente autorização é feita em caráter definitivo e irretratável, de forma gratuita, sem ônus de qualquer espécie à SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - SECOM.

Data e local Assinatura

Em resumo, querem usar em TODAS as MÍDIAS, SEM PAGAR NADA POR ISSO!

É o GOVERNO DO BRASIL PEDINDO IMAGEM DE GRAÇA PARA USAR COMO E QUANDO BEM ENTENDER.

Estou verdadeiramente com raiva neste momento. Minha resposta ao segundo e-mail foi a mais educada possível dentro dessas condições, mas obviamente negando a licença.

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ps.: a foto em questão era esta:

Avenida Paulista - a foto que o governo quer de graça - Paulis066

EM TEMPO…

Ligaram pedindo desculpas e dizendo que mandaram o contrato errado, solicitaram que eu elabore um contrato e envie. Vamos ver, segunda feira dou mais notícias… ops, segunda é feriado, terça dou notícias. Resta torcer para que esta negociação, que começou da forma mais errada, termine bem para todos. O que considerei positivo foi terem entrado em contato e aberto uma porta para negociação, isso já merece um crédito.

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Crise de Imagem - o Caso HSBC

Dias atrás o banco HSBC deu início a uma ação de marketing chamada Palco HSBC, entre os muitos braços desta ação, um envolvia a realização de um concurso fotográfico através do site Flickr, maior rede social de fotógrafos do planeta.

A crise de imagem começa com o regulamento do referido concurso que foi muito mal recebido pela comunidade fotográfica, especialmente por aqueles que como eu, atuam profissionalmente como fotógrafos.

A revolta não aconteceu por acaso, o regulamento continha afrontas claras a lei número 9610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, que passavam por uma cessão irrestrita de direitos das imagens para que o banco utilizasse como bem entendesse, fosse para os fins do concurso ou até para campanhas publicitárias de alcance mundial, entre outros pontos.

Iniciou-se assim uma enorme gritaria na internet, o grupo Palco HSBC no Flickr foi tomado por queixas, dezenas de fotógrafos colocaram a mensagem “Diga Não Ao HSBC” em seus avatares e perfis públicos, diversos blogs publicaram textos contra o banco e levaram adiante a mensagem negativa, no Twitter e nas listas de discussão por e-mail ocorreu o mesmo. Ilustradores e designers se juntaram a causa e também ecoaram o brado “Diga Não Ao HSBC”.

O número de pessoas atingidas pela mensagem passou da casa das milhares em poucas horas, o estrago na imagem do banco estava feito.

Fotógrafos, ilustradores e designers são um ótimo público para bancos, muitos precisam ter contas para pessoa física e jurídica, alguns recebem pagamentos do exterior, tomam empréstimos para comprar equipamentos caros, compram serviços de seguro, enfim, são clientes desejáveis por qualquer instituição financeira, e logo junto a este público o eco negativo se alastrava com força.

Veio então a público o diretor de marca e digital do HSBC, Sr. Carlos Alves na tentativa de apagar o incêndio, informou sobre a imediata reformulação do regulamento e tentou apaziguar ânimos mas já era tarde, a desconfiança reinava.

O novo regulamento do concurso veio, bastante melhorado em relação ao anterior pois retirou os pontos potencialmente ilegais, evidenciou a necessidade de inclusão de créditos aos autores e deixou mais claro que caso as imagens fossem usadas posteriormente em campanhas, haveria pagamento negociado com os fotógrafos vencedores do concurso.

Ainda há falhas no regulamento, falta clareza na definição de pontos que envolvem a tal ação “Palco HSBC” na qual as fotos serão usadas. A discussão ainda acontece no Flickr e em listas, fóruns e blogs pela internet, um pouco mais morna é verdade, mas é possível dizer que a imagem negativa deixada no início não foi apagada nem corrigida até o momento.

Como evitar um papelão desses? Uma palavra apenas: PLANEJAMENTO.

Com um pouco de planejamento haveria o cuidado de por exemplo, consultar o público potencialmente atingido e verificar se o regulamento condizia com os interesses dessas pessoas, contratar um advogado especializado em imagem também seria útil para evitar afrontar uma lei tão conhecida.

Apesar das medidas necessárias serem simples, o descuido, a pressa e a contratação de uma agência de publicidade ruim fizeram com que uma grosseira bobagem como essa fosse feita e gerasse tanto estrago.

Fica a dica para todas as empresas, se vão fazer um concurso de fotos, consultem fotógrafos e associações de classe, além de dar uma boa lida nas leis pertinentes. E para fotógrafos, leiam com atenção os regulamentos de concursos, em caso de dúvidas consultem advogados antes de realizar a inscrição, se for o caso, reclamem, tornem a insatisfação pública, pois só assim as empresas irão aprender a trabalhar de maneira mais ética, planejada e respeitosa.

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Ps.: Ilustro com uma foto de vinho que fiz recentemente, assim levanto um brinde aos fotógrafos que iniciaram e propagaram este levante contra um regulamento leviano, foi um dos raros momentos em que vi a classe fotográfica unida.

Um brinde à união - Vinho005

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