Insegurança Fotográfica

Olá pessoal, andei um pouco sumido pois o trabalho aqui no estúdio felizmente esteve a mil. Agora com o trabalho entregue para o cliente, consigo um tempinho para postar algo por aqui.

Aproveito uma postagem feita pelo fotógrafo Pedro Martinelli no blog dele para tratar de um assunto que venho reparando há algum tempo: os fotógrafos estão cada vez mais inseguros.

Com o surgimento da fotografia digital algo novo aconteceu, graças aos pequenos monitores colocados logo atrás das câmeras, os fotógrafos criaram o costume de sempre dar uma olhadinha em cada foto feita, é um tal de apertar botão, tirar a câmera do rosto, olhar, voltar para a posição, clicar, afastar, olhar, e assim vai indo indefinidamente.

Vocês conseguem imaginar que isso antes era impossível? No lugar do tal monitor havia uma tampa que você abria para colocar e tirar o filme. O fotógrafo ficava com o olhar no visor o tempo todo, não afastava a câmera do rosto para conferir nada e tinha que ter segurança de que estava fazendo o certo pois o resultado só viria depois de revelar o filme.

Hoje é diferente. Graças a essa facilidade parece que muitos estudam menos e desta forma precisam mais desse “feedback” instantâneo, querem saber se estão com o flash bem regulado, se a foto saiu estourada, se a composição está bem feita ou se algo errado aconteceu e por aí vai.

Eu sei que toda vez que vou ao casamento de algum amigo dá um nervoso danado ficar olhando os fotógrafos, que produzem fotos na casa das milhares e entre uma e outra dão aquela olhada rápida no lcd da câmera.

Quero deixar uma dica, de certa forma um exercício. Saiam para fotografar com o lcd desligado, talvez uns sintam alguma tremedeira, comecem a suar frio. Isso se chama abstinência, mas fiquem calmos, respirem fundo e continuem. Fotografem um dia inteiro sem olhar no lcd, deixem para fazer isso em casa no monitor do computador que é bem maior e melhor do que aquele mínimo visor da câmera.

Ao fazer isso vocês perceberão onde erram, se é na regulagem do flash, na fotometria ou quem sabe em ambos. Talvez as composições precisem de ajustes e possivelmente vocês reparem que estão fazendo tudo certo e que podem ter mais segurança ao fotografar, sem ficar o tempo todo se apoiando nessa pequena muleta de poucas polegadas localizada entre você e sua câmera, e que faz você se afastar dela a cada foto.

Se notarem que estão errando na parte técnica, corrijam isso com treino e estudo, talvez com um curso, para quem quiser se aprimorar em fotometria e flash, agora em julho terei cursos aqui em São Paulo e em Curitiba abordando estes temas, vejam na agenda do blog para maiores detalhes.

Depois contem para mim, seja aqui no blog ou por e-mail, como foi o “dia sem lcd”. Da minha parte prometo sair e fotografar com uma boa e velha Olympus Trip e posto aqui os resultados no próximo texto. Fiz a foto que ilustra este artigo em 1998, com uma Pentax movida a filme Ilford HP5.

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Armando Vernaglia Jr
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Ferrovia-1998 - Linhas, retângulos e triângulos numa composição clássica

A Importância da Fotografia - 2.0

Outro dia ouvi a seguinte pergunta: “Por que você é fotógrafo?” Respondi com uma frase que de tão presunçosa pareceu a mim mesmo um pouco absurda: “Por que é a profissão mais importante do mundo”. Parei para pensar um pouco no que havia dito e concluí que não estava tão errado e que de fato se não era a mais importante, com certeza estaria no “top 10” das atividades fundamentais para a existência da humanidade.

A fotografia é um meio de expressão que pode ser usada de variadas formas, no jornalismo comunica as notícias, nas revistas de fofoca mostra a vida de celebridades, nos anúncios faz todo o trabalho de encantamento para a venda e ainda a vemos em relatórios, sites, palestras, livros e tantos outros meios com finalidades diversas. 

A televisão e o cinema só existem graças aos avanços técnicos que deram origem à fotografia, a web 2.0 só é tão interessante pois temos vídeos e fotos bonitas e coloridas, se fosse apenas texto eu queria ver tanta gente conectada esse tempo todo.
Indo mais longe, nós só temos idéia de como fomos quando crianças pois vimos fotos, e também só sabemos como eram nossos pais mais jovens pelo mesmo motivo. Nossa história foi contada por fotos, é nossa memória.

Imagine agora uma vida sem fotografia, sem registros de criança nem as fotos que denunciaram o horror das guerras ou a fome na África. Os anúncios seriam como os velhos cartazes feitos por Lautrec. Televisão e internet? Esqueça, elas não teriam nascido.

Podem levantar a bandeira e dizer que haveria ilustração, tipografia e tudo mais, de fato. Mas o diferencial da fotografia, quando comparada a outras formas de construção de imagem é o fato dela ser realista por natureza, as coisas precisam existir na frente da câmera para serem retratadas, interpretamos uma fotografia como algo real, se o produto é bonito na foto, assim nos parece a realidade, se uma empresa parece bem organizada e produtiva na foto, assim é a impressão que teremos dela.

Mas mesmo com toda a importância, seja como documento histórico ou como meio de comunicação social que independe do verbo, a fotografia é muito maltratada. Não há cultura visual em nosso país, não entendemos que uma boa fotografia vale mais do que milhões de palavras.

Somos analfabetos fotográficos, achamos que foto serve apenas para enfeitar um site, um catálogo ou a sala de estar. Nunca vi um manual de identidade visual que contemplasse orientações sobre o estilo fotográfico a ser usado por uma empresa, preocupam-se com o logotipo que ocupará menos de 10% da página e esquecem de pensar no que irão dizer com aquela foto que ocupará os outros 90%.

No final a fotografia é como o ar em nossos pulmões, é tão presente e fundamental, que só iremos notar sua absoluta importância quando estivermos sem ela, rodeados apenas por essas fotografias genéricas de bancos de imagem free, será como estarmos rodeados por ar poluído e tóxico, ficaremos doentes, cansados e deprimidos. Aí quem sabe compreendamos a falta que fazem as boas fotografias, feitas de forma responsável por bons profissionais, gente que estuda e pesquisa, assim como na medicina, na engenharia, na arquitetura e nas outras poucas profissões que podem rivalizar em importância com a fotografia.
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PS.: esta é uma versão atualizada do artigo que publiquei na Casa do Galo.

PS2.: Ilustro este texto com uma foto que fiz, em um belo amanhecer na cidade de Mongaguá, litoral sul de São Paulo, e que demonstra o que costumo dizer, sem estudo, treino e técnica apurada, uma foto dessas não acontece.

Mongagua008 - Amanhecer em Mongaguá, litoral sul de São Paulo

Um Pouco de História

Vou aproveitar o espaço do blog para render homenagens a alguns de meus ídolos, gente que inovou, criou e fez mais diferença pela fotografia do que muitas multidões juntas clicando loucamente com suas digitais por aí.

Não vou falar de nomes conhecidos, se você quiser saber de Bresson, Doisneau, Halsman, Man Ray e outros, basta fazer uma simples busca pela internet e achará tudo o que já foi escrito sobre eles, são figuras freqüentes em blogs e sites de fotografia.

Irei selecionar alguns nomes pouco famosos, injustiças cometidas pela história que deixa desaparecer a memória de fotógrafos tão importantes.

Irei começar com o russo Sergey Mikhaylovich Prokudin-Gorsky (1863, Murom, Rússia-1944, Paris, França). Ele é o autor das imagens que ilustram este texto.

Submeti estas imagens a amigos e alunos sem dizer de quem eram ou quando haviam sido feitas, para que todos pudessem opinar sobre o que viam. Uns notaram defeitos técnicos, como falta de foco ou cortes estranhos no enquadramento das cenas. Houve quem apontasse a não utilização de regras de composição, assim como houve quem apontasse as imagens como meros registros de turista, aquelas fotos sem qualidade feitas por quem não entende do assunto.

Também tive opiniões de quem observou o caráter documental das imagens, que as distanciava de intenções artísticas e quem notasse na paleta de cores sutil um charme diferenciado.

Ao serem informados de que estas fotos foram feitas entre 1905 e 1915, quando a fotografia colorida mal existia além de experimentos semelhantes à alquimia, feita com equipamentos arcaicos, que exigiam a produção de três fotografias para uma imagem colorida final, utilizando-se de filtros vermelho, verde e azul para cada uma. E que naquele tempo tudo era revelado, montado e finalizado, sem photoshop, computador, digitais e vejam só, sem o mágico botão “delete”, as opiniões mudaram.

Todos ficaram maravilhados em perceber que um homem visionário, muito antes do seu tempo criou as possibilidades para registrar a realidade do Império Russo em cores, com seus personagens, arquiteturas e paisagens únicas, em um trabalho com mais de 3000 imagens ao todo.

Imaginem conseguir fotos em que os retratados ficassem parados enquanto ele trocava as chapas de filme e filtros coloridos para na soma de três fotografias em preto e branco, obter uma colorida. E ainda ter a maioria focada e composta com o cuidado devido para deixar para a posteridade um registro sem igual em seu tempo.

Assim deixo meu agradecimento a Sergey Mikhaylovich Prokudin-Gorsky, um dos desenvolvedores da fotografia em cores, sem o qual não veríamos o mundo com a mesma graça que vemos hoje.

Para saber mais (em inglês): Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

A última foto deste artigo é um auto-retrato de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii.

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 001

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 012

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 004

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 005

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii - 016

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Triste, mas verdadeiro…

Normalmente só posto fotos, vídeos e textos de minha autoria por aqui, mas achei necessário postar o vídeo abaixo, dica do amigo Danilo via Update Or Die

É uma triste realidade, ninguém fica “pechinchando” quando compra comida no mercado, mas fazem isso com a prestação de serviços. Você pode querer uns descontos aqui e ali, pode desejar parcelamentos, isso é normal. Mas ninguém propõe a um chef de um restaurante que cozinhe de graça para fazer um teste ou decide comprar um CD sem pagar pois quer ouvir e ver se gosta.

Infelizmente é comum ouvir propostas desse nível quando se vive em profissões como fotografia, design, ilustração e outras. Já ouvi dezenas ou centenas de vezes frases como: “é possível fazer essa foto agora como um teste e no próximo trabalho acertamos um valor?”, ou quem sabe “que tal fazermos assim, eu posso te pagar metade disso, mas no próximo trabalho compensamos”, e ainda, depois de aprovar um orçamento e receber o trabalho dizer “olha, estamos numa situação difícil, iremos pagar, mas só poderei fazer isso em 60 dias”. Entre outras.

Sabem, se ninguém divide comigo os lucros dos bons tempos, por que querem sempre dividir os prejuízos?

Vejam o vídeo:

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Criatividade X Técnica

Há um mito na fotografia de que o aprendizado com profundidade da técnica pode limitar a liberdade criativa. Ouvi diversas vezes isso, dito por alunos e por pseudo profissionais que conheci ao longo dos anos.

Esse mito também acontece em outras áreas, é comum ouvir algo semelhante na música e na pintura, provavelmente ele exista em todas as formas artísticas de expressão que conhecemos.

Devo dizer que aprender algo em profundidade jamais irá cercear ou reduzir sua liberdade criativa, isso é uma imensa bobagem pensada por muitos e repetida por outros tantos, mas é bobagem, nada mais do que isso.

Imagine por um momento se Leonardo da Vinci pudesse imaginar o sorriso da Mona Lisa mas não tivesse a técnica do sfumato para realizá-lo. Podemos também pensar que Michelangelo poderia ter várias idéias sobre sua Pietà, mas caso não soubesse de todas as técnicas e sutilezas da escultura em mármore não chegaria a lugar algum.

Saindo da área artística e entrando no mundo esportivo, qualquer um de nós é capaz de correr 100m, mas fazer isso em menos de dez segundos exige técnica, desde o controle da respiração, passando pela forma de pisar, de mover braços, ombros e de ter controle absoluto sobre mente e corpo. São treinos exaustivos para atingir os resultados.

Mais um exemplo? Vamos lá, Michael Schumacher nunca seria o maior campeão de toda a história da Fórmula 1 se não dominasse a mecânica e engenharia por trás dos carros que pilotava. Ele sabe ajustar tudo no carro para obter os resultados e isso é fruto de técnica, estudo e treino.

Por isso tudo, vamos encerrar definitivamente com esse mito de que estudar limita a criatividade, pois é exatamente o contrário, quanto mais técnica existir em seu repertório, mais recursos você terá para dar vazão à criatividade.

Costumo dizer nas minhas aulas que um fotógrafo dominar a escolha de lentes, compreender o ângulo de visão e os efeitos de perspectiva, executar uma fotometria perfeita, ter compreensão da luz, da sombra e dos contrastes, ser rápido e atento o para nunca ter uma foto fora de foco, tudo isso são obrigações e não diferenciais.

É bom que se diga que uma coisa é ter técnica e cometer erros, todo ser humano erra inclusive os gênios que citei anteriormente, mas se em cada 100 fotos que você fizer, você tiver que corrigir luz, enquadramento, ou o foco não estiver preciso, ou houver tremidos em umas 10 delas, você está muito mal em sua técnica.

Uma boa margem de erro em minha opinião é de uma foto em cada cem, se você atingir esse nível, tendo que apagar uma em cada cem fotos feitas, está ótimo. Se ainda não consegue isso, estude e treine mais até conseguir. Você irá passar menos tempo no computador corrigindo coisas, entregará trabalhos melhores aos seus clientes e merecerá o dinheiro que eles pagam.

Falando nisso, e já vendendo meu peixe, na AGENDA tem novidades, nova turma de Fotometria e Flash, em formato intensivo, renovado e melhorado. Esse é o curso ideal para quem busca consistência de resultados, com ou sem flash, em qualquer situação de luz.

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Ponte Hercílio Luz - Florianópolis

ps.: ilustro este texto com esta foto que fiz em Florianópolis e que demonstra a importância do domínio técnico sobre a luz, feita com filme positivo (cromo), com o uso de filtros graduados de densidade neutra e de correção de cor, sem nenhum photoshop.

Mais fotos… e uma reflexão.

Acho que vou alternar entre artigos e fotos, que acham?

Além das fotos, gostaria de compartilhar uma reflexão com vocês.

Quando estive na Itália, vi obras magníficas produzidas por nomes incontestáveis como Da Vinci, Michelangelo, Andrea Pozzo, Filippo Brunelleschi e tantos outros. Há algo em comum entre estes gênios: eles dedicavam-se integralmente às suas obras.

Eram seres capazes de ficar anos e anos em um projeto, aturando reclamação de seus clientes, sim, estes artistas tinham clientes assim como nós, não faziam arte pela arte. Exatamente como acontece com cada um aqui, eles tinham que pagar contas, comer e tudo mais. Os clientes eram mecenas, banqueiros, a igreja, entre outros, e que estipulavam prazos irritantes, pagavam menos que o merecido e ainda atrasavam, assim como acontece hoje.

Mas estes nobres nomes que citei, entre outros, nos deixaram uma herança maravilhosa, com grandes descobertas, novas técnicas, outras formas de ver e de pensar.

Daí a reflexão que quero deixar. E nós, faremos o mesmo? Iremos além da mediocridade e deixaremos algo de real valor para as próximas gerações? Pensaremos além do óbvio, produziremos além do banal? Seremos nós capazes de nos colocar em longos e sacrificados projetos, com pouco dinheiro e reclamações o tempo todo, para assim conseguirmos construir algo que tenha valor para o ser humano?

É para pensar. Seguem fotos que ilustram um pouco do que vi por lá.

Piazza del Capidoglio

Gloria di Sant\'Ignazio, de Andrea Pozzo

Firenze

Roma e Vaticano

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A Porta dos Fundos do Mercado

Algumas pessoas talvez se ofendam com este texto, mas digo que minha intenção é a de causar reflexão. No artigo passado tratei do que considero o caminho certo para entrar no mercado, a porta da frente, neste falarei do jeito errado, adotado pela maioria.

Hoje todo mundo pode ser fotógrafo, basta comprar uma câmera. Após esse simples passo é questão de achar tutoriais na internet, perguntar alguma coisa para alguém disponível, quem sabe ler uma revista e pronto, é só sair por aí dividindo com o mundo suas visões únicas obtidas com sua nova máquina digital de “trocentos” megapixels.

Em tempos de crise na indústria o processo se intensifica, pois muitas pessoas perdem o emprego e na urgência de conseguir ganhos financeiros abraçam profissões livres, artísticas e não muito regulamentadas, como fotografia, ilustração e design.

É tudo fácil e simples no admirável mundo novo das tecnologias digitais e do moderno limpa tudo chamado photoshop. Se não souber usar o photoshop basta ajustar um bom discurso e dizer que aquilo é seu estilo, sua arte, sua visão e deixar assim mesmo, cheio de defeitos e falar que é proposital.

A foto saiu escura? Tremida? Tudo bem, converta para preto e branco que fica ótimo, se está fora de foco coloque bem pequena na página que ninguém irá reparar. Composição mal feita e sem harmonia? Sem problemas, corta um pouco daqui, um tanto dali, aproveita só um pedacinho da foto e pronto, tem “trocentos” megapixels para isso mesmo. Estudar e fazer tudo do jeito certo? De jeito nenhum, curso demora e custa caro.

Ironia? Não, é o retrato fiel do mercado em que qualquer um se diz fotógrafo e todo lixo é chamado de fotografia, pior, é chamado de arte. Para as dores póstumas de gênios como Bresson, Doisneau, Man Ray, Halsman, Brandt, Munkacsi e outros.

Devo dizer, cortando a alegria de muitos, que não, essa montanha de gente no mercado se dizendo fotógrafos não o são, não merecem este título e não tem o direito de exercer essa profissão. Deveriam ser processados por jogarem o dinheiro dos clientes no lixo.

A cada um que neste momento pensa em ser fotógrafo, estude, pesquise, compre livros, faça cursos. Se for autodidata, seja um pesquisador incansável em busca de imagens realmente valiosas, que engrandecem o ser humano. Faça por merecer o título de fotógrafo, respeite essa profissão que já teve nomes tão nobres e inspirados como os que citei acima.

Respeite também seus clientes, eles pagam suas contas e não merecem receber disfarces feitos no photoshop de fotos mal feitas.

Alguns vão dizer que ando rabugento, reclamo de tudo, mas cheguei à conclusão de que se ninguém falar, muitos vão continuar achando que estão fazendo o certo, de que é normal comprar uma câmera, estudar um pouquinho e sair por aí dizendo que é profissional. Imagine se eu fizesse um curso básico sobre anatomia e saísse por aí dizendo que sou médico. Espero que alguém leia, reflita e opte por fazer as coisas do jeito certo, com estudo profundo, respeito e dedicação.

E lembrando: a todos que investem nos estudos, compram livros, pesquisam, visitam museus para ver e entender arte em todas as formas, participam ativamente de listas de discussão e fóruns ajudando e sendo ajudado, que esperam para estar prontos, com boa técnica, bom repertório artístico e estético antes de se colocarem no mercado, este texto não é para vocês.

Nos vemos em breve, a periodicidade quinzenal acaba de ser abolida. =^)

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ps.: ilustro este texto com uma foto que fiz na cidade de Firenze, aqui conhecida como Florença, Itália.

Firenze166pq - Firenze, Itália

Algumas fotos - centro de São Paulo

Olá pessoal, devido a compromissos profissionais não pude escrever um artigo para esta quinzena, então resolvi substituir por algumas fotos, afinal sou fotógrafo. =^)

Espero que gostem, fiz uma seleção de imagens do centro de São Paulo.
Grande abraço a todos, nos vemos em breve.

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Edifício Altino Arantes - Edifício Altino Arantes, centro de São Paulo

Vale do Anhangabaú - Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo

Prédio Martinelli - Prédio Martinelli, no centro de São Paulo

Viaduto de Santa Ifigênia - Viaduto de Santa Ifigênia, em estilo Art Nouveau, no centro de São Paulo

Pateo do Collegio - Pateo do Collegio, local onde São Paulo foi fundada

A Porta da Frente do Mercado

Muita gente me pergunta sobre como entrar no mercado, quanto cobrar pelo trabalho, de que forma conseguir clientes etc. Perguntam de tudo relacionado a esta profissão que executo. Como não sou help desk resolvi concentrar as respostas em um único texto, assim quem quiser saber sobre esses assuntos terá um guia rápido.

Sobre tornar-se profissional, o primeiro passo não é comprar a câmera, mas sim estudar e compreender o que é o mercado de fotografia. Quem compra e quem vende foto, por que uma imagem é usada num anúncio ou catálogo, baseado em que alguém contrata uma pessoa para registrar seu casamento e por aí vai.

Ao analisar esses pontos você compreende que existe algo mais complexo do que comprar câmera e sair “clicando” loucamente. Você terá responsabilidades para com os clientes, deverá respeitar o dinheiro que eles colocam em suas mãos e entregar um trabalho digno.

Assim como alguém entrega sua vida a um cirurgião, o fotógrafo tem em suas mãos o passado e o futuro de algo ou alguém. Ele poderá ser responsável por registrar fatos que não podem ser esquecidos, ou terá a missão de mostrar ao mercado o novo produto recém lançado, a nova moda que chega às lojas ou mesmo as notícias que estamparão capas de jornais.

O fracasso numa dessas áreas pode arruinar as memórias de um evento importante, prejudicar as vendas de um produto e causar demissões na empresa que o lançou, entre outros desastres possíveis quando temos fotos ruins envolvidas. A fotografia é uma profissão de responsabilidade, não se brinca com isso, não se faz testes com isso e não é um trabalho simples.

Se você entendeu direito que a coisa é mais séria e menos encantadora do que parecia, agora é hora do caminho das pedras, mas não prossiga se não concordar ou entender o que eu disse acima, pois o que está dito é verdadeiro e importante, se você acha que não, então não merece ser fotógrafo.

Comece pelos estudos técnicos e estéticos da fotografia, um não vive sem o outro, não adianta saber fotometria, profundidade de campo, foco, tempo de obturador e tantas outras questões técnicas se não souber compor os elementos que vão para dentro do enquadramento fotográfico com harmonia e beleza. Também não adianta ter idéias ótimas se não souber executá-las. Um bom curso básico de fotografia, boas leituras e muito treino iniciam a caminhada. Tempo investido: Entre 6 meses e um ano, não menos que isso pois o conhecimento precisa de tempo para se consolidar e essa consolidação é obtida com treino.

Passada a etapa básica, procure cursos mais especializados, direcionados ao segmento de mercado de seu interesse, se gostar por exemplo de fotografia de moda, busque referências como boas revistas, livros, visite agências de modelos e faça cursos com fotógrafos especializados na área. Tempo investido: aproximadamente um ano, ou mais.

Neste ponto, você será um iniciante, é algo como um estagiário se compararmos com outras profissões, mas já terá noções de um mercado e da fotografia, poderá oferecer trabalho a amigos e conhecidos e também ser assistente de fotógrafos de sua área de interesse.

Sobre ser assistente, entenda: o profissional que lhe der emprego o faz pois precisa de seu trabalho, ele não será seu professor e sim seu contratante, nunca se esqueça disso. Você aprenderá pela vivência e observação, mas terá que trabalhar duro em atividades muitas vezes não relacionadas ao ato fotográfico. O assistente limpa estúdio, vai buscar provas na gráfica, sai correndo para comprar algo que faltou, carrega um monte de equipamento para cima e para baixo, fica no computador descarregando fotos etc. Com o tempo e sendo dedicado pode começar a ter mais participação no trabalho até que vire segundo fotógrafo dentro da equipe ou do estúdio.

Enquanto você é assistente dificilmente poderá ser fotógrafo solo, se tentar, surgirão conflitos de agenda e perderá o emprego facilmente. Dedique-se a este período, não tenha pressa. O período como assistente e fazendo trabalhos para amigos e parentes a preço de custo dura aproximadamente dois anos.

É chegada a hora, se nesse tempo todo você treinou fotografia todo dia, mais de uma hora por dia, se prestou atenção no trabalho do fotógrafo principal para quem trabalha além de ter lido muito para ter preparo técnico e estético, hora de alçar vôo solo.

Levou 4 anos para chegar aqui, é como uma faculdade e neste ponto você é só um iniciante, é o funcionário que acabou de ser efetivado após o estágio, falta muito ainda, mas se fizer tudo desta forma terá agido da maneira certa, estará treinado e apto a entrar no mercado. Com menos do que esses quatro anos de treino e estudo dificilmente você conseguirá sucesso no mercado.

Nos vemos em 15 dias com o texto “Oba, todo mundo é fotógrafo agora!”

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Memorial Panoramico - Memorial da América Latina

Dois anos e quase 70.000 visitas depois.

O tempo passa rápido mesmo, dois anos de Blog do Vernaglia. Nesse tempo foram quase 70.000 visitas, 47 artigos publicados, este aqui é o quadragésimo oitavo, mais de 275 comentários feitos por 130 pessoas diferentes, um monte de gente enviou meus textos por e-mail, este blog foi “linkado” por vários outros, fiz novos amigos, enfim, muitas coisas boas e poucas ruins aconteceram por aqui.

Os textos mais vistos e comentados foram: Encheu o Saco, Um Ano e 20.000 visitas depois, O Individual e o Coletivo, Feliz Natal em 1000 Imagens, O Preço e o Valor e Ética.

Depois disso tudo, só posso agradecer a todos que por aqui passam e que de alguma forma participam deste espaço e por conseqüência da minha vida.

Tenho programado muitas mudanças para este blog, bem como para minha vida profissional e aproveitarei para colocar algumas aqui.

A primeira é a abertura do Papo do Blog, uma lista de discussão que complementa o blog e aumenta a possibilidade de interação entre os leitores e amigos. A lista é aberta a todos que queiram participar, sugerir temas para futuros artigos, conversar sobre fotografia, vídeo, cinema, marketing, publicidade e tantos outros assuntos, então seja bem vindo, inscreva-se na lista do Blog do Vernaglia e seja bem vindo ao papo.

Com a inauguração da lista, estou desativando o mailing, de agora em diante quem quiser apenas ler os artigos, pode recebê-los via RSS (link no menu da direita desta página), e quem quer interagir, conversar e participar entra no grupo de discussão.

Mudando de assunto, passando para a área de cursos e palestras, algumas mudanças foram necessárias e tenho certeza de que todas foram para melhor. A escola Riguardare que gentilmente abriga meus cursos está preparando uma grande reformulação de sua grade curricular, muitas e ótimas novidades estão por vir. A primeira já está em funcionamento, com a primeira turma do Curso de Fotografia Autoral.

Estou desenvolvendo alguns projetos para a escola, são cursos inovadores e diferenciados, feitos com muito carinho, estudo e pesquisa, sempre com um olho no futuro, nas novas tecnologias e novidades do mercado de imagem, aguardem pois coisas boas virão em breve.

Enfim, são dois anos e quase 70.000 visitas, é bem possível que passe desse número durante a quinzena em que este texto ficará no ar. Só posso dizer mais uma vez, muito obrigado a todos vocês.

Nos vemos em quinze dias com um texto que versará sobre como iniciar no mercado de fotografia, respondendo aos vários e-mails que recebo com essa pergunta.

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Festa - Fogos de Artifício

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